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Ensino e aprendizagem

A importância das boas perguntas para o protagonismo infantil [VI Jornada de Educação Infantil]

Cristian Fabbi, presidente da Reggio Children, explicou como as perguntas estimulam o protagonismo infantil na VI Jornada de Educação Infantil.

Ensino e aprendizagem

Tempo de leitura: 6 min
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Qual o lugar da criatividade, da arte e das boas perguntas na educação?

Educadores de renome nacional e internacional responderam essa pergunta na VI Jornada de Educação Infantil, realizada em 3 de outubro pelo Observatório da Cultura Infantil (OBECI), em parceria com a Pós Educação Unisinos.

O evento 100% online teve curadoria e mediação do pesquisador e formador do Instituto para Inovação em Educação da Unisinos, Paulo Fochi, com o apoio da jornalista Débora Bresciani. Foram apresentados os cases das escolas Ateliê Carambola e Thema Educando, além de mesas redondas com os convidados:

  • Cristian Fabbi, presidente da Reggio Children
  • Mara Davoli, consultora da Fundação Reggio Children
  • Mitchel Resnick, professor de Pesquisa de Aprendizagem no MIT Media Lab

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O primeiro convidado a responder à pergunta foi Cristian Fabbi, que falou sobre a importância das boas perguntas no protagonismo infantil.

Além de presidente da Reggio Children, Fabbi é especialista sênior internacional em Cuidados e Educação na Primeira Infância no International Bureau of Education (IBE) da UNESCO e em Desenvolvimento da Primeira Infância (DPI) do UNICEF. Também atua como especialista em Educação Infantil na ONG RTM, em Kosovo.

É psicólogo pela Universidade de Bologna e psicoterapeuta pelo Instituto de Psicoterapia Sistêmica de Modena e Cesena (ISCRA). É mestre em Pedagogia e especialista em DPI pela Reggio Children.

Confira as principais ideias compartilhadas pelo presidente da Reggio Children, Cristian Fabbi, na VI Jornada de Educação Infantil:

  1. A relação entre as boas perguntas e o protagonismo infantil
  2. Boas perguntas como ponto de partida da exploração
  3. Tipos de pergunta que geram curiosidade
  4. A arte é fundamental para o protagonismo infantil
  5. A Educação Infantil sustenta outros direitos
  6. Conheça os cursos da Pós Educação Unisinos
  7. Sobre a VI Jornada de Educação Infantil

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A relação entre as boas perguntas e o protagonismo infantil

Cristian Fabbi iniciou sua participação no evento defendendo que começar o processo de ensino e aprendizagem a partir das perguntas, e não das respostas, é uma escolha política. Ele usou como exemplo o contexto histórico da criação da abordagem Reggio Emilia, inserido no pós Segunda Guerra Mundial.

Partir das perguntas significa ter curiosidade sobre as pessoas ao nosso redor, sobre o que elas têm a dizer, seus pensamentos e opiniões. É por causa dessa perspectiva que a Reggio Emilia se diferencia das demais pedagogias, ao incentivar educadores a escutarem o que as crianças têm a dizer.

Para Fabbi, as pedagogias convencionais partem dos saberes do adulto, que devem ser replicados e repassados adiante. Uma metáfora usada pelo educador para explicar essas metodologias foi a de vasos vazios: a cabeça das crianças seria preenchida com o conhecimento dos adultos, sem considerar saberes pré-existentes.

“Partir das perguntas significa aceitar a ideia de que as crianças são competentes para cocriar a cultura, por meio da interação, de projetos e de experiências e pesquisas”, explicou Fabbi.

Essa mudança de abordagem remete a educadores como Maria Montessori (1870-1952), Loris Malaguzzi (1920-1994) e Paulo Freire (1921-1997). No entanto, ainda impera na pedagogia mundial a ideia de que o adulto deve propor conceitos às crianças.

Trabalhar com perguntas é aceitar a complexidade e o desconhecido, segundo Cristian Fabbi. “É preciso ter coragem de escutar as crianças, de permitir que elas falem sobre as próprias experiências.”.

O adulto deve se colocar no lugar da criança, adotando um ponto de vista de curiosidade e de vontade de descobrir algo novo. Assim é possível identificar as redundâncias, as possibilidades e os espaços de investigação no processo de ensino e aprendizagem.

Também é uma mudança política, ao renunciar a ideia de que o adulto ensina e a criança, aprende. O professor não deve ser visto como detentor do saber, mas alguém que pesquisa com a turma. “Em cada contexto educativo, há componentes de pesquisa que têm a mesma dignidade do que as faculdades fazem. É preciso encontrar espaços comuns sob esse ponto de vista”, defendeu Fabbi.

Para fazer essa pesquisa, o presidente da Reggio Children explicou que é necessário se colocar no lugar de observador e trabalhar com documentação, coletando processos de aprendizagem em sala. De acordo com Fabbi, a observação e a documentação são os elementos principais da profissão do professor, que muda a maneira como encara a infância.

Como as crianças interagem e trabalham juntas? Elas emprestam ideias entre si? Tudo isso deve ser observado.

“Partir das boas perguntas não é só uma estratégia didática, mas, sim, uma mudança epistemológica e política”, afirmou Fabbi. A mudança é epistemológica pois altera a forma como o educador enxerga e interpreta a realidade. Ela também é política devido ao deslocamento de poder, de uma posição vertical para uma horizontal.

Nessa abordagem pedagógica, não há mais uma figura que detém o poder do conhecimento. Há várias, representadas por crianças, mães, pais, responsáveis e comunidade escolar. Todas essas pessoas contribuem para a construção do conhecimento.

>>> Leia também: A importância da pedagogia afetiva na Educação Infantil

Boas perguntas como ponto de partida da exploração

Depois de apresentar a mudança de perspectiva pedagógica, Cristian Fabbi apontou as principais características das boas perguntas. Elas devem:

  • Manter viva a curiosidade da criança;
  • Levar a uma pesquisa contínua sobre o mundo à nossa volta;
  • Estimular o pensamento crítico;
  • Estimular a geração de novas perguntas.

São essas características das boas perguntas que permitem às crianças continuarem o próprio percurso de pesquisa. Fabbi ressaltou que a preparação do contexto, como um experimento artístico e científico, é uma forma de gerar perguntas, por meio de uma reflexão coletiva.

>>> Leia também: Como ensinar a geração Alpha, as crianças nascidas depois de 2010

Tipos de pergunta que geram curiosidade

O presidente da Reggio Children recorreu às ciências da Comunicação para oferecer orientações de como fazer boas perguntas. O primeiro passo é pensar nos lugares em que essas perguntas serão feitas, que pode ser em diferentes espaços da escola. A experiência será mais enriquecedora se elas forem feitas para assembleias ou grupos com 3 ou 4 crianças, que percorrem o mesmo trajeto de pesquisa.

Em seguida, é importante conhecer os tipos de pergunta que despertam a curiosidade dos pequenos, ou seja, que geram pensamentos. Fabbi listou três:

1. Pergunta circular

Orientada ao grupo, que busca respostas em conjunto. Quando uma menina ou um menino tem uma curiosidade, professores podem instigá-los: “Qual dos seus amigos pode te ajudar a responder essa pergunta?”.

A pergunta circular acaba por estimular a interação entre as crianças da turma.

2. Pergunta reflexiva

Estimula as crianças a procurarem hipóteses na própria história ou na dos outros. Alguns exemplos de perguntas que professores podem fazer são:

  • “Já aconteceu de você encontrar esse tipo de situação?”
  • “Você já fez essa pesquisa antes?”

A pergunta reflexiva contribui para uma revisão do próprio percurso de pesquisa.

3. Pergunta estratégica

Incentiva a criar estratégias de pesquisa ou soluções para um problema.

É possível mesclar os três tipos de perguntas geradoras. O principal objetivo delas é dar protagonismo às crianças no processo de ensino e aprendizagem.

>>> Leia também: Como usar a curiosidade infantil a favor da aprendizagem

A arte é fundamental para o protagonismo infantil

A arte é muito importante para estimular as perguntas geradoras, afirmou Cristian Fabbi. Ela é um instrumento de conhecimento para as crianças, que as utilizam, por exemplo, para entender as descobertas científicas e refletir sobre a natureza.

Na Reggio Emilia, a arte na educação é abordada na Teoria das Cem Linguagens, que defende que meninos e meninas têm o direito de expressar o próprio conhecimento na linguagem que preferirem.

Esse direito é exercido com a ajuda do atelierista, profissional da educação responsável por guiar os pequenos na manipulação dos materiais, apresentar novas vivências estéticas e documentar as experiências de cada criança.

>>> Leia também: A importância da arte na Educação Infantil

A Educação Infantil sustenta outros direitos

As escolas de Educação Infantil são grandes promotoras de direitos sociais e civis, destacou Fabbi. E não somente para as crianças: elas permitiram que meninas pudessem continuar os estudos, em vez de terem que ficar em casa cuidando dos irmãos mais novos, e que mulheres entrassem no mercado de trabalho.

Elas também têm contemplado outros arranjos familiares para fazer com que meninos e meninas se sintam acolhidos no ambiente escolar.

Para o presidente da Reggio Children, esse papel da Educação Infantil como promotora de direitos deve ser contemplado pelas políticas públicas. Elas devem colocar as crianças no centro, garantindo uma educação solidária que possibilite a realização de projetos de vida.

“É preciso aprender a fazer boas perguntas para construir a sociedade da solidariedade, em que cada um possa realizar o seu projeto de vida, qualquer que seja. Infelizmente, nos chegam cada vez mais respostas e fazemos menos perguntas. Devemos acolher as perguntas abertas, que devem ser a nossa maneira de trabalhar”, concluiu Fabbi.

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Sobre a VI Jornada de Educação Infantil

Realizada em 3 de outubro de 2022, a VI Jornada de Educação Infantil reuniu educadores de prestígio nacional e internacional para debater sobre a importância da criatividade, da arte e das boas perguntas na educação.

O evento foi realizado em parceria entre o Observatório da Cultura Infantil (OBECI) e a Pós Educação Unisinos, com curadoria do Profº Drº Paulo Fochi.

A VI Jornada de Educação Digital foi 100% online e gratuita. Confira as principais ideias e cases discutidos no evento:

>>> O papel do atelierista na Educação Infantil, segundo Mara Davoli

>>> Mitchel Resnick: “As crianças precisam desenvolver o pensamento criativo”

>>> O que podemos aprender com a escola Ateliê Carambola

>>> O que podemos aprender com a escola Thema Educando

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Sobre o autor

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. Mestre em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Tem mais de dez anos de experiência em produção de conteúdo.

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