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Ensino e aprendizagem

Os 6 principais transtornos de neurodesenvolvimento em crianças para ficar alerta

Saber identificar os sinais de transtornos de neurodesenvolvimento é importante para promover uma educação mais inclusiva. Conheça os principais.

Ensino e aprendizagem

Tempo de leitura: 8 min
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O professor deve ficar atento aos sinais de transtornos de neurodesenvolvimento em crianças e adolescentes para ajudá-los com dificuldades de aprendizagem e, assim, promover uma educação de fato inclusiva.

É difícil estimar o número de crianças com algum transtorno de neurodesenvolvimento, tanto no Brasil quanto em outros países. Pesquisas recentes indicam que recém-nascidos em países em desenvolvimento têm o dobro de chances de apresentar um transtorno de neurodesenvolvimento do que bebês de nações desenvolvidas. Pensando no Brasil, em que há uma grande desigualdade social, a prevalência dos distúrbios varia entre as regiões do país.

Em um contexto com um número cada vez maior de diagnósticos de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista e distúrbios de aprendizagem, a escola se tornou o espaço em que pais e crianças devem encontrar o apoio necessário para o pleno desenvolvimento do estudante.

O primeiro passo para contribuir com uma educação inclusiva é conhecer os principais transtornos de desenvolvimento para oferecer o suporte necessário ao estudante. Antes, é importante que você saiba os conceitos de neurodesenvolvimento e de transtorno.

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O que é neurodesenvolvimento

O neurodesenvolvimento é um processo caracterizado pelo domínio progressivo de habilidades motoras, cognitivas e psicossociais, das mais primárias às mais refinadas. Ele se inicia no período gestacional, sendo impactado por fatores genéticos, biológicos, ambientais e socioculturais.

O processo envolve o sistema nervoso, composto por diferentes órgãos espalhados pelo corpo humano, sendo o mais importante o cérebro. A função dele, basicamente, é captar, interpretar e transmitir estímulos sensoriais por todo o organismo.

O sistema nervoso é subdividido em:

Sistema nervoso central (SNC)

Formado pelo encéfalo e pela medula espinhal. O encéfalo se divide em três partes:

  1. Metencéfalo: cerebelo e parte inferior do tronco cerebral;
  2. Mesencéfalo: recobre a parte superior do tronco cerebral;
  3. Prosencéfalo: área límbica, tálamo, hipotálamo, amídala e crosta cerebral.

A medula espinhal tem a função de receber e processar as sensações captadas pela pele, articulações e músculos. Ela também controla nossos movimentos.

Sistema nervoso periférico (SNP)

Estrutura localizada fora do encéfalo e da medula espinhal que conecta o corpo ao sistema nervoso central. É formado por gânglios e feixes de fibras nervosas que transmitem impulsos nervosos.

Todas as partes do sistema nervoso são dependentes uma das outras, ou seja, trabalham ao mesmo tempo para executar uma tarefa mental. Não existe uma área específica do cérebro responsável por apenas uma atividade.

As tarefas mentais podem ser o pensamento, a linguagem, a atenção, a memória, o comportamento... E a aprendizagem.

Quem explica com mais detalhes o funcionamento do sistema nervoso e sua relação com o neurodesenvolvimento é o médico e professor do curso Neurociência e aprendizagem no contexto escolar da Pós Educação Unisinos, Ramon Cosenza, autor de "Neurociência e educação: como o cérebro aprende" (2011).

Os neurônios e o neurodesenvolvimento

As informações são recebidas, conduzidas e processadas entre as estruturas do sistema nervoso por meio dos 85 bilhões de neurônios que compõem o cérebro humano. Eles se comunicam entre si com a ajuda de impulsos elétricos, que percorrem a membrana deles e passam para outros células por meio das sinapses.

Os neurônios são formados por um corpo celular principal, chamado de soma, de onde se projetam os dendritos, e um axônio, que é uma extensão da soma.

Os dendritos recebem impulsos nervosos de outros neurônios, enquanto o axônio transmite sinais para outras células nervosas.

Outras células que fazem parte do sistema nervoso são as neuroglias, que dão sustentação aos neurônios.

Durante o início da gestação, quando já começa o processo de neurodesenvolvimento, os neurônios não têm uma função específica. Eles se especializam à medida que passam as semanas de vida intrauterina.

Nos primeiros três anos de vida do bebê, o cérebro passa por intensas transformações e os neurônios estabelecem um número cada vez maior de ligações entre si, formando redes neurais. Elas favorecem a transmissão de informações, garantindo a aprendizagem e formação de memórias.

Para que o neurodesenvolvimento prossiga, é necessário que haja um acúmulo de mielina nos axônios dos neurônios. A mielinização auxilia na comunicação entre as células nervosas, que transmitem os sinais elétricos com mais agilidade e regularidade, e ainda contribui para o fortalecimento das rotas neuronais responsáveis pelos sentidos. A produção de mielina também começa na gestação e se estende até a vida adulta.

As 9 etapas do neurodesenvolvimento infantil

Segundo o professor da Pós Educação Unisinos Ramon Cosenza, o neurodesenvolvimento acontece por etapas associadas à faixa etária. De maneira geral, na primeira infância, a criança adquire funções cognitivas que embasarão as etapas posteriores. Novas ligações entre os neurônios são estabelecidas e há um crescimento da massa cerebral.

As principais etapas do neurodesenvolvimento infantil descritas abaixo são uma adaptação de artigo publicado no periódico científico Ensino Em Re-Vista:

1. Período pré-natal

O neurodesenvolvimento é influenciado por condições internas e externas ao indivíduo, como a alimentação materna e o vínculo parental.

2. Primeiras semanas de vida pós-parto

Nesta fase do neurodesenvolvimento, os bebês aprendem por meio de estímulos agradáveis e desagradáveis. As habilidades motoras, sensoriais e perceptuais ainda são rudimentares, sendo aperfeiçoadas com a interação com o ambiente.

Os recém-nascidos já conseguem:

  • Diferenciar o rosto da mãe dos demais;
  • Reconhecer vozes específicas;
  • Sentir os sabores doce, amargo, ácido e azedo;
  • Identificar odores corporais familiares;
  • Distinguir o odor da mãe do de outra mulher.

O bebê também é capaz de seguir objetos com as mãos, sorrir, firmar a cabeça e reconhecer feições humanas.

3. Terceiro mês de vida

Como parte do processo de neurodesenvolvimento, a criança passa a levar objetos à boca e a brincar com as mãos.

Ainda, o bebê passa a direcionar o comportamento de apego a pessoas específicas. Deixa de sorrir para estranhos, mas ainda não sabe quem oferece mais segurança.

4. Sexto mês de vida

A criança já sabe quem é a base segura dela, como o pai e a mãe. Em situações novas com pessoas estranhas, ela olhará para os pais para saber se pode seguir adiante. Começa a demonstrar medo do desconhecido e ansiedade de separação.

Ela aprimora as capacidades desenvolvidas nas etapas anteriores do neurodesenvolvimento, como sentar com apoio.

5. Sétimo ao oitavo mês de vida

O bebê consegue se sentar sem apoio e começa a expressar as primeiras sílabas, mas sem significado. Já entende o próprio nome e o sentido da palavra "não".

6. Nono e décimo mês

O bebê começa a acenar como se estivesse se despedindo de alguém e bate palmas. Já consegue segurar objetos com os dedos em pinça.

É nesta etapa do neurodesenvolvimento que as crianças começam a engatinhar, a erguer-se com apoio e a andar com o apoio das duas mãos.

7. Décimo primeiro e décimo segundo mês de vida

As primeiras palavras são expressas. O bebê consegue andar com o apoio de uma mão e, em alguns casos, sozinho. Já demonstra cooperação na hora de se vestir.

O aparecimento da linguagem é fruto da interação entre a cultura, as experiências e os estímulos recebidos nas fases anteriores do neurodesenvolvimento.

O vocabulário da criança aumenta conforme se diferenciam os neurônios da formação hipocampal, área do cérebro relacionada à consolidação da memória.

8. 2 anos de idade

Esta etapa do neurodesenvolvimento é marcada pelas seguintes capacidades:

  • Autoconsciência;
  • Compreensão e expressão da linguagem;
  • Início da socialização;
  • Percepção dos estados mentais e emocionais das outras pessoas, iniciando o desenvolvimento da empatia;
  • Análise do que pode ser feito ou não em determinadas situações.

As partes do cérebro entram em funcionamento de forma progressiva até o órgão funcionar por inteiro, aos três anos de idade. Uma criança com dois anos tem um cérebro tão ativo quanto o de um adulto.

9. 3 anos de idade

Nesta faixa etária, o cérebro das crianças apresenta o dobro de atividade neural do que o de um adulto, continuando assim até completar 10 anos de idade.

É no terceiro ano de vida que a criança domina as funções motoras, tendo um maior controle dos músculos e executando movimentos mais amplos. Isso permite que ela chute, corra, pule, gire e equilibre-se.

O pensamento já é menos egocêntrico, enquanto há uma maior compreensão da perspectiva das outras pessoais, o que fortalece as relações sociais.

A memória e a linguagem estão mais avançadas do que nas etapas anteriores do neurodesenvolvimento, manifestando-se em uma maior capacidade de prestar atenção, repetir sequências e recontar histórias.

Dessa fase em diante, a criança exercita habilidades sensoriais, motoras, cognitivas, socioemocionais e linguísticas cada vez mais especializadas.

Tenha em mente de que as etapas de neurodesenvolvimento não acontecem da mesma forma nem ao mesmo tempo para todas as pessoas. Isso acontece porque o amadurecimento do cérebro depende de fatores biológicos individuais e do ambiente em que essa criança vive.

Caso uma criança não desenvolva uma habilidade da etapa considerada comum à sua idade, ela pode adquiri-la em uma fase posterior, desde que receba os estímulos adequados.

O que você viu até aqui é uma apresentação mais esquemática dos componentes do sistema nervoso e das etapas de desenvolvimento infantil. É importante conhecê-los para compreender os transtornos de neurodesenvolvimento, mas existe uma especialização específica para profissionais da educação que querem aprofundar o conhecimento em neurociência, a neuropedagogia.

O que são transtornos de neurodesenvolvimento

Os transtornos de neurodesenvolvimento são condições de déficit no desenvolvimento que trazem prejuízos no funcionamento pessoal, social, acadêmico ou profissional, segundo a 5ª edição do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), desenvolvido pela Associação Americana de Psiquiatria (APA).

Geralmente, os transtornos de neurodesenvolvimento se manifestam antes da criança ingressar na escola. Eles variam de limitações muito específicas na aprendizagem a prejuízos nas habilidades sociais e inteligência.

Saiba mais sobre a relação entre neurociência e aprendizagem.

Os principais transtornos de neurodesenvolvimento

O DSM-5 lista 6 classes transtornos de neurodesenvolvimento. As informações abaixo foram adaptadas do manual e não se propõem a fazer um diagnóstico. Caso você suspeite que um estudante da sua escola apresenta algum dos distúrbios, converse com a equipe pedagógica da sua escola para oferecer à criança ajuda profissional.

Conheça os principais transtornos de neurodesenvolvimento:

1. Transtorno de desenvolvimento intelectual

O transtorno do desenvolvimento intelectual se manifesta por meio de déficits de capacidades mentais genéricas, como:

  • Raciocínio
  • Solução de problemas
  • Planejamento
  • Pensamento abstrato
  • Juízo
  • Aprendizagem acadêmica
  • Aprendizagem pela experiência

O comprometimento destas habilidades faz com que a pessoa não atinja padrões de independência pessoal e participação social em uma ou mais situações do dia a dia.

Dentro desse transtorno de neurodesenvolvimento, há a categoria de atraso global do desenvolvimento. Este diagnóstico é atribuído a pessoas que não atingem os marcos esperados em diferentes áreas do funcionamento intelectual.

Além de origem genética, o transtorno do desenvolvimento intelectual pode ser uma consequência de alguma lesão, como um traumatismo craniano.

2. Transtornos de comunicação

Os transtornos de comunicação são divididos em 4 categorias:

  1. Transtorno de linguagem:
  2. Transtorno de fala:
  3. Transtorno de comunicação social:
  4. Transtorno de fluência com início na infância: mais conhecido como gagueira, esse transtorno de neurodesenvolvimento é marcado por perturbações na fluência e na produção motora da fala.

3. Transtorno do espectro autista (TEA)

Uma pessoa com TEA apresenta déficits de comunicação e interação social em diferentes contextos, junto a padrões repetitivos de comportamento, interesses e atividades. O diagnóstico baseia-se na manifestação clínica desses déficits combinados às ações repetitivas.

4. Transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH)

O TDAH é definido a partir de níveis prejudiciais de desatenção, desorganização ou hiperatividade-impulsividade. Quem apresenta esse transtorno de neurodesenvolvimento, de uma forma geral, não consegue permanecer muito tempo em uma tarefa, parece não ouvir as outras pessoas e perde os materiais escolares com frequência. No caso da hiperatividade, a criança fica inquieta, não consegue ficar sentada muito tempo e se intromete nas atividades dos outros colegas.

Geralmente, uma criança com TDAH apresentar também um distúrbio específico de aprendizagem, pois é comum a ocorrência de mais de um transtorno de neurodesenvolvimento no mesmo indivíduo.

5. Transtorno específico de aprendizagem

Os transtornos específicos de aprendizagem são caracterizados por déficits na capacidade de perceber ou processar informações. Geralmente, eles se manifestam no início da idade escolar, em dificuldades de leitura, escrita ou matemática.

Os transtornos específicos de aprendizagem mais comuns são:

  • Dislexia: termo geral que engloba distúrbios de leitura, matemática, ortografia, expressões escritas ou manuscritas, compreensão ou uso da linguagem verbal ou não verbal.
  • Dislexia fonológica: incapacidade de decodificação de sons.
  • Dislexia superficial: dificuldade em reconhecer as formas e estruturas das palavras, ou seja, de reconhecer a palavra pela rota lexical.
  • Disgrafia: dificuldades de caligrafia, no traçado e na forma das letras.
  • Discalculia: dificuldade de solucionar questões, estimar quantidades, memorizar números e reconhecer padrões.
  • Anarritmia: dificuldade de formar conceitos básicos e adquirir aptidões de computação.
  • Afasia anômica ou disnomia: dificuldade de recordar palavras e recuperar informações da memória.

6. Transtornos motores

Os transtornos motores também são divididos em três classes:

  1. Transtorno do desenvolvimento da coordenação: o indivíduo tem déficits na aquisição e execução de habilidades motoras coordenadas. Ele apresenta uma "falta de jeito" ou lentidão para realizar atividades do dia a dia.
  2. Transtorno do movimento estereotipado: manifesta-se por meio de movimentos repetitivos sem um objetivo, como agitar as mãos, balançar o corpo e bater a cabeça.
  3. Transtornos de tique: podem ser tiques motores ou vocais. Eles são repentinos, rápidos, recorrentes e não ritmados.

A importância da escola e do professor para crianças com transtornos de neurodesenvolvimento

A escola e o professor devem acolher as crianças com transtornos de neurodesenvolvimento e contribuir para sua formação acadêmica e cidadã. Para isso, é fundamental que educadores e instituições de ensino estejam empenhados em promover uma educação inclusiva, modalidade de ensino direcionada para todas as crianças e adolescentes, independentemente de ter algum distúrbio ou não.

A inclusão nas escolas está prevista no Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020), que estabeleceu o Atendimento Educacional Especializado (AEE) no ensino regular. A tarefa dos profissionais do AEE é identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que permitam a participação plena dos estudantes, considerando as necessidades específicas de cada um.

Para saber mais sobre educação inclusiva, confira este artigo do blog da Pós Educação Unisinos.

Tenha em mente que as maiores dificuldades apresentadas por crianças com transtornos de neurodesenvolvimento estão relacionadas à interação social, comunicação e comportamento. Crie rotinas em grupo para ajudar o estudante a incorporar as regras de convívio social e desenvolver habilidades de autorregulação. É importante pedir a orientação do responsável pela AEE para planejar as atividades mais adequadas para sala de aula.

Lembre-se de que os estudantes com algum transtorno de neurodesenvolvimento buscam pessoas que sejam um "porto seguro" dentro da escola. Conquistar sua confiança é essencial para ajudá-los no processo de desenvolvimento e aprendizagem.

Sobre o autor

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós Educação Unisinos

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