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Ensino e aprendizagem

O que é neuroeducação e como se especializar na área

A neuroeducação reúne as descobertas da Neurociência, da Psicologia e da Pedagogia para fazer com que crianças, adolescentes e adultos aprendam melhor.

Ensino e aprendizagem

Tempo de leitura: 8 min
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A neuroeducação é uma área interdisciplinar que reúne os saberes da Neurociência, da Psicologia e da Pedagogia em prol da aprendizagem dos estudantes de todas as idades. 

Ela também é chamada de “neuropedagogia”, “educação cerebral”, “neuropsicologia cognitiva” e “neurociência cognitiva”. Independentemente do nome usado pelos pesquisadores, todos se propõem a oferecer informações cientificamente embasadas para os professores melhorarem suas práticas pedagógicas.

Quer saber mais sobre o assunto? 

Aqui você vai encontrar as principais informações sobre neuroeducação e descobrir como atuar na área. As informações abordadas neste texto são um resumo do artigo científico “Neuroeducação e a construção de Indicadores de Habilidades Cognitivas”, publicado em novembro de 2021 pela Revista Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Confira: 

  1. Qual o objetivo da neuroeducação 
    1.1 Pensamento, memória e conhecimento 
    1.2 As 10 áreas de habilidades cognitivas 
  2. Como se tornar um neuroeducador 
    2.1 Quem pode fazer neuroeducação 
  3. Como levar a neuroeducação para a sala de aula 
  4. Fuja dos neuromitos! 

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Qual o objetivo da neuroeducação

O principal objetivo da neuroeducação é promover melhores práticas de ensino entre os professores, que estarão mais aptos a ajudar crianças, adolescentes e adultos a explorarem todo seu potencial de aprendizagem. 

A definição da neurocientista e professora de Harvard Tracey Noel Tokuhama-Espinosa ilustra bem esse propósito:

“A neuroeducação é a arte cientificamente fundamentada de ensino, ou a confirmação de melhores práticas pedagógicas com os estudos sobre o cérebro humano.”

Outro objetivo é explicar como e por que as atividades práticas feitas em aula contribuem com o desenvolvimento do conhecimento. Um dos motivos, por exemplo, é o aumento no número de processos que acontecem no cérebro dos estudantes quando eles recebem fortes estímulos – como o de aprender colocando a mão na massa, uma das propostas da cultura maker na educação.

Para oferecer respostas e orientações embasadas a educadores, os pesquisadores da área seguem duas vertentes de investigação: 

  1. Entender as condições específicas do desenvolvimento cognitivo que podem gerar problemas na aprendizagem;
  2. Entender as funcionalidades básicas do cérebro e como ele se desenvolve.

O professor convidado da Pós Educação Unisinos Ramon Cosenza ressalta em suas pesquisas que o cérebro não é o único responsável pela aprendizagem. O órgão é a parte mais importante do Sistema Nervoso Central (SNC) por possibilitar que o ser humano tome consciência das informações que chegam por meio dos sentidos, além de coordenar o processamento das informações.

O cérebro humano é a parte mais importante do Sistema Nervoso Central (SNC) relacionado à aprendizagem. Créditos: Robina Weermeijer/Unsplash.Créditos: Robina Weermeijer/Unsplash.

Pensamento, memória e conhecimento

Os estudos de neuroeducação trabalham com três conceitos básicos para explicar o processo de aprendizagem: 

  1. Pensamento
  2. Memória 
  3. Conhecimento 
1. Pensamento

Na neuroeducação, o pensamento é considerado uma representação neural que cria um modelo mental com o objetivo de tomar consciência dos acontecimentos, organizar ideias, fazer associações, estabelecer estratégias, formular hipóteses e resolver problemas. 

Ele se origina de um processo que cria elos com a realidade, ou seja, o que é percebido pelos sentidos, por meio da tradução da percepção pela mente. 

O pensamento é uma das formas de o estudante expor como está o nível de aprendizagem. Ele se manifesta por meio das interações com o professor e colegas, ao falar, questionar, escrever e desenhar. Estas ações são uma demonstração do controle sobre a mente. 

2. Memória

Do ponto de vista biológico, a memória é um conjunto de modificações nas sinapses químicas do cérebro. Ela se desenvolve por meio de conexões neurais na região do hipocampo. O professor convidado da Pós Educação Unisinos Ramon Cosenza a define como um rastro químico deixado pelos neurônios no cérebro. 

A memória depende da frequência e prática com que um indivíduo se submete a um estímulo. Ela se divide em duas categorias a partir disso: 

  • Memória de curto prazo: fica armazenada no hipocampo por cerca de um minuto. Pode se transformar em uma memória de média duração ou ser esquecida, dependendo do estímulo; 
  • Memória de longo prazo: fica armazenada de forma definitiva no córtex cerebral. Depende de fatores como a importância da informação, a codificação e a repetição. 

A neuroeducação considera a memória como uma das principais condicionantes para que haja a aprendizagem. 

3. Conhecimento

O conhecimento é formado a partir de três aspectos: 

  1. Mundo interno do indivíduo;
  2. Experiência;
  3. Mundo externo ao indivíduo. 

Todos são essenciais para o desenvolvimento e manifestação da inteligência humana, que envolve as capacidades analíticas, criativas e práticas: 

  • Inteligência analítica: capacidade de solucionar situações conhecidas, por meio de comparação ou análise dos componentes de um problema; 
  • Inteligência criativa: capacidade de solucionar situações desconhecidas, que demandam criar ou conceber ideias novas; 
  • Inteligência prática: capacidade de resolver problemas relacionados a contextos diários. 

As 10 áreas de habilidades cognitivas

Além de conhecer os conceitos básicos acima, é recomendado que os professores conheçam as 10 áreas de habilidades cognitivas para avaliar o desenvolvimento de cada estudante.

As áreas abaixo são necessárias para que toda criança estabeleça associações significativas durante o processo de ensino e aprendizagem: 

  1. Controle de atenção ou capacidade de concentração;
  2. Controle de recepção ou capacidade de retardar a recompensa e se tornar processador ativo da informação;
  3. Controle de expressão ou capacidade de pensar sobre as alternativas;
  4. Ordenação sequencial ou capacidade de agir passo a passo;
  5. Orientação espacial ou capacidade de se engajar ao pensamento verbal produtivo;
  6. Memória ou capacidade de usar seus arquivos de forma consciente;
  7. Linguagem ou capacidade de se tornar comunicador verbal;
  8. Motricidade ou capacidade de um nível satisfatório de eficiência motora;
  9. Pensamento social ou capacidade de compreender as habilidades interpessoais;
  10. Pensamento superior ou capacidade de se tornar analista conceitual, criativo, sistêmico e crítico. 

Uma pessoa “aprende a aprender” quando pratica e aperfeiçoa todas essas habilidades. Caso o professor perceba um déficit em uma delas, ele deve avisar a equipe pedagógica da escola, que tomará as providências necessárias. Em alguns casos, o estudante pode ser encaminhado ao Atendimento Educacional Especializado (AEE). 

Saiba mais sobre a relação entre neurociência e aprendizagem.

Como se tornar um neuroeducador

É consenso entre pesquisadores da educação que todo professor deve ter uma base sobre neurociência para entender como o cérebro aprende, se adapta e memoriza para, assim, desenvolver novas metodologias de ensino. 

A neuroeducação ainda não integra a grade curricular de todos as graduações em Pedagogia e nas licenciaturas, por isso o melhor caminho para aprender mais sobre a área é uma especialização. 

A Pós Educação Unisinos oferece a pós-graduação em Neurociência e aprendizagem no contexto escolar para quem deseja conhecer novas metodologias e melhorar suas práticas pedagógicas. 

O corpo docente conta com neurocientistas reconhecidos dentro e fora do Brasil, como Ramon Cosenza e Vitor Haase. As aulas são 100% online. 

Inscreva-se na pós-graduação em Neurociência e Aprendizagem da Pós Educação Unisinos

Quem pode fazer neuroeducação

Uma especialização na área de neuroeducação pode ser feita por toda pessoa que tiver um diploma de Ensino Superior, seja um bacharelado ou uma licenciatura, e que atenda as exigências da instituição de ensino, de acordo com o art. 1º, § 3º, da Resolução CNE/CES n°. 1, de 8 de junho de 2007.

Mas há categorias profissionais que têm muito a ganhar com uma pós-graduação em neurociência e educação: 

  • Pedagogos e psicopedagogos;
  • Fonoaudiólogos;
  • Assistentes sociais;
  • Psicólogos;
  • Supervisores e gestores escolares;
  • Professores da Educação Básica, de todas as áreas do conhecimento;
  • Designers educacionais;
  • Demais profissionais que atuam na área da educação. 

Como levar a neuroeducação para a sala de aula

Você pode levar algumas boas práticas da neuroeducação para a sala de aula antes de começar sua pós-graduação. 

Em artigo para o blog “Brain-Based Learning”, o professor e neurocientista Eric Jensen separou 10 estratégias práticas que vão ajudar a potencializar a aprendizagem das suas turmas:

1. Estimule a prática de atividade física na escola

O movimento ajuda bastante no aprendizado, ao elevar as taxas de noradrenalina, dopamina e cortisol. Esses hormônios contribuem com a concentração e a memória. 

O ideal é que os estudantes tenham entre 30 a 60 minutos para diminuir a resposta ao estresse e, assim, potencializar a neurogênese. 

Quando falamos em movimento, não estamos pensando apenas nas aulas de educação física. Ele pode ser incorporado a uma aula com atividades gamificadas.

2. Planejou uma atividade em equipe? Monte os grupos de forma estratégica

A neuroeducação comprovou que a socialização é essencial para o aprendizado de crianças e adolescentes. Condições sociais e isolamento comprometem o desenvolvimento das habilidades cognitivas. 

Por isso, incentive a turma a se dividir em grupos mais diversos nos trabalhos em equipe. E lembre-se: o relacionamento professor-estudante também é muito importante! 

3. Estimule a memória e a capacidade de atenção da turma

Para que a aprendizagem aconteça de forma mais efetiva, os estudantes devem desenvolver suas capacidades de memória, processamento e sequenciamento de informações, atenção e regulação da impulsividade. 

Quando planejar suas aulas, pense em atividades que não apenas trabalhem o conteúdo da disciplina, mas também todas essas capacidades.

4. Mantenha os níveis de estresse baixos

Um ambiente estressante prejudica o desenvolvimento da cognição. É importante tornar a escola um espaço acolhedor, além de ensinar as crianças a perceberem e controlarem as próprias emoções. 

Uma boa atividade que pode ser feita com crianças e adolescentes é a meditação. Confira aqui no Blog da Pós Educação Unisinos um artigo sobre o tema.

5. Reconheça a neurodiversidade

Neurodiversidade é um conceito que defende que uma conexão neurológica atípica ou neurodivergente é uma manifestação da diferença humana e não uma doença que precisa ser curada.

Cada pessoa é única e tem o seu próprio ritmo de aprendizagem. Por isso, não espere que todos os estudantes estejam no mesmo nível de assimilação do conteúdo. Ajude-os a desenvolver as habilidades cognitivas necessárias para serem indivíduos autônomos e membros ativos da sociedade. 

6. Divida o conteúdo da aula em blocos de até 8 minutos de duração

Jensen sugere aos professores que distribuam o conteúdo da aula, que geralmente tem 50 minutos, em blocos de tempo de acordo com a complexidade e do conhecimento prévio da turma sobre o assunto. 

Ele explica que muito conteúdo ensinado em um intervalo curto de tempo exige uma carga cognitiva maior, sendo mais cansativo para os estudantes processarem as informações. Por isso, ele orienta que os assuntos que serão abordados em uma aula expositiva respeitem os seguintes intervalos de tempo: 

  • 4 a 8 minutos: assuntos mais complexos e que a turma ainda não domina;
  • 8 a 15 minutos: assuntos menos complexos e que a turma já tem um conhecimento prévio. 

Encerrado o bloco de conteúdo, repasse o que foi dito com os estudantes e estimule-os com perguntas, assim você os ajudará a processar as informações. 

7. Aposte nas Artes como aliada do aprendizado

Trabalhar com a criatividade e produção artística não deve se restringir a uma disciplina específica nem a uma aula por semana. 

Atividades como teatro, dança, desenho e pintura estimulam a capacidade de foco, memória e percepção espacial. Habilidades como empatia, paciência e comunicação também são trabalhadas nessas atividades. 

Pesquisas na neuroeducação indicam que a escola deve reservar 30 a 60 minutos por dia, três vezes por semana, para atividades artísticas. Lembrando que elas podem ser desenvolvidas nas aulas das mais diferentes disciplinas, da matemática à história, da biologia à filosofia, seguindo a metodologia STEAM.

8. Trabalhe habilidades sociais já na Educação Infantil

Incentivar que as crianças reconheçam e lidem com as próprias emoções é uma forma de se evitar maus comportamentos em sala de aula, que prejudicam o aprendizado a longo prazo. 

As habilidades sociais podem ser trabalhadas concomitantemente ao conteúdo da disciplina, com metodologias ativas que envolvam o trabalho em equipe, a colaboração, a comunicação e a empatia.

Conheça algumas metodologias ativas comprovadas pelas pesquisas em neuroeducação que você pode usar com suas turmas: 

9. Conheça os principais transtornos de aprendizagem

Todo educador deve conhecer o fundamental sobre transtornos de aprendizagem e não apenas os professores que atuam no AEE. 

Essa base vai te ajudar a lidar com as especificidades de cada estudante da sua turma.

10. Reserve mais momentos da aula para revisão

A última orientação sobre neuroeducação reforça a importância de se trabalhar a memória. A revisão ajuda a fixar o conteúdo e ainda a fortalecer a capacidade cognitiva de memorização. 

O neurocientista Eric Jensen indica que os professores devem revisar o conteúdo em um intervalo entre o aprendizado original e o momento de avaliação. Por exemplo, se o conteúdo foi abordado na segunda-feira e uma prova será aplicada na sexta, a revisão deve acontecer na quarta-feira. 

Ainda, a revisão não precisa ser uma aula expositiva. O professor pode recorrer a quizzes ou trabalhos em grupo para estimular que os estudantes troquem informações entre si. Neste caso, seu papel será o de um intermediador. 

Fuja dos neuromitos!

Um dos principais neuromitos diz que bebês que ouvem Mozart se tornam adultos mais inteligentes. Não existe comprovação científica para esta afirmação. Créditos: Alireza Attari/Unsplash.Um dos principais neuromitos diz que bebês que ouvem Mozart se tornam adultos mais inteligentes. Não existe comprovação científica para esta afirmação. Créditos: Alireza Attari/Unsplash.

Se você tem planos de levar a neuroeducação para a sala de aula, é preciso fugir dos principais neuromitos para conseguir fazer com que os estudantes desenvolvam todo o seu potencial de aprendizagem.

Conheça os 5 mitos sobre o cérebro humano que mais ouvimos por aí. 

Neuromito 1: o ser humano usa apenas 10% da capacidade do cérebro

Não existem áreas inativas do cérebro humano. Acredita-se que esse mito surgiu a partir de uma interpretação errada do texto “The energies of men”, escrito pelo psicólogo americano William James em 1907. O autor afirmou que a maioria das pessoas não colocava em prática todo o potencial intelectual.

Neuromito 2: crianças que ouvem Mozart serão mais inteligentes na vida adulta

O “efeito Mozart” foi estudado em 1993 pelos pesquisadores Gordon Shaw e Frances Rauscher, na Universidade da Califórnia.  Eles fizeram um experimento com universitários, que foram divididos em dois grupos. Um deles ouviu uma música do compositor austríaco, enquanto o outro não foi exposto a música alguma. 

Em seguida, os dois grupos fizeram um teste de inteligência. Os estudantes que ouviram a música alcançaram notas melhores. Mas outros neurocientistas não conseguiram replicar os resultados desse experimento nas últimas décadas. 

Neuromito 3: Pessoas que utilizam mais o lado esquerdo tem um pensamento lógico mais desenvolvido, enquanto as que usam o direito são mais criativas

Os dois lados do cérebro têm funções diferentes. O lado esquerdo é responsável por aspectos da linguagem e o direito por uma parte das habilidades visuais e espaciais. 

Entretanto, ambos funcionam de forma coordenada e as diferenças são relativas. Quando lemos um livro, por exemplo, subsistemas são ativados nos dois hemisférios cerebrais.  

Neuromito 4: existem períodos críticos para cada aprendizagem. Se a criança não aprender algo em determinada faixa etária, não conseguirá adquirir mais esse conhecimento.

Embora existam fases da vida mais propícias para aprendizados específicos, o cérebro de uma pessoa consegue fazer novas ligações entre neurônios durante toda a vida. Essa capacidade se chama de plasticidade cerebral. 

Neuromito 5: uma criança precisa ser estimulada ao máximo até os 3 anos de idade, quando o cérebro está no auge da quantidade de conexões sinápticas e de neurônios.

Não há evidências científicas que justifiquem submeter um bebê a uma grande quantidade de estímulos e informações complexas demais para a idade dele. 

Sobre o autor

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós Educação Unisinos

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