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Ensino e aprendizagem

Como aliar neurociência e aprendizagem para construir uma educação de qualidade

As relações entre neurociência e aprendizagem ainda estão sendo desvendadas. Descubra o que a ciência tem a dizer sobre o assunto.

Ensino e aprendizagem

Tempo de leitura: 8 min
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Os avanços dos estudos sobre o cérebro humano ajudaram a humanidade a entender como nos relacionamos, sentimos, agimos. E aprendemos.

A neurociência revolucionou o processo de ensino e aprendizagem e ofereceu subsídios para educadores planejarem aulas mais inclusivas, que levam em consideração as especificidades de cada um dos estudantes.

Hoje todo professor precisa conhecer preceitos básicos de neurociência e aprendizagem se quiser acompanhar a transformação na educação que está em curso. Para você não ficar para trás, preparamos este artigo introdutório sobre a relação entre as áreas. Você irá ver:

  1. O que é neurociência
  2. Qual a relação entre neurociência e aprendizagem
    2.1 As funções que o cérebro precisa desenvolver para aprender
  3. 5 mitos sobre neurociência e aprendizagem
  4. Principais transtornos de aprendizagem explicados pela neurociência
  5. Neurociência e aprendizagem lado a lado para uma educação de qualidade

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O que é neurociência

A neurociência é o campo científico que investiga o sistema nervoso, formado pelo cérebro, medula espinhal e nervos periféricos, e as ligações dele com toda a fisiologia do corpo humano.

Como campo autônomo, ela existe desde a década de 1970. A neurociência é uma área interdisciplinar, reunindo saberes da biologia, medicina, química, matemática, linguística, psicologia, engenharia, física e ciência da computação.

Todas estas disciplinas ajudam a compreender como mais de 86 bilhões de células nervosas nascem, se desenvolvem e se conectam. Assim, cientistas conseguem decifrar os comandos e as funções do cérebro, além das alterações que o órgão sofre no processo de envelhecimento humano.

Os principais temas estudados na neurociência são:

  • Controle neural das funções vegetativas;
  • Controle neural das funções sensoriais;
  • Controle neural das funções motoras;
  • Mecanismos de atenção, memória e aprendizagem;
  • Emoção, linguagem e comunicação;
  • Relação entre cérebro e comportamento;
  • Doenças do sistema nervoso, da enxaqueca à doença de Alzheimer;
  • Transtornos de saúde mental, como a depressão.

Avanços significativos na área de transtornos de saúde mental e doenças do sistema de nervoso relacionadas ao envelhecimento fizeram com que a década de 1990 ficasse conhecida como “A Década do Cérebro”.

Hoje a neurociência é dividida em ramos de especialização, que são:

  • Neurociência afetiva: estuda o comportamento dos neurônios em relação às emoções;
  • Neurociência comportamental e cognitiva: pesquisa a relação do sistema nervoso com o comportamento humano e as funções cognitivas. Envolve o estudo da memória, do raciocínio e do aprendizado;
  • Neurociência computacional: simula e modela as funções cerebrais em computadores para estudar o funcionamento do cérebro;
  • Neurociência cultural: estuda como o cérebro influencia na formação e perpetuação de crenças e valores de um indivíduo e da sociedade;
  • Neurociência celular e molecular: concentra-se no estudo dos neurônios e das moléculas do sistema nervoso;
  • Neurociência do desenvolvimento: pesquisa a formação, desenvolvimento e alterações do sistema nervoso;
  • Neuroengenharia: aplica o conhecimento da engenharia na busca de soluções e melhorias de todo o sistema nervoso;
  • Neuroimagem: estuda e desenvolve imagens do cérebro para diagnosticar doenças;
  • Neurofisiologia: pesquisa as funções cerebrais.
  • Neuroetologia: estuda a relação entre o comportamento animal e o sistema nervoso, de uma perspectiva comparada e evolutiva.
  • Neuropedagogia: estuda a relação entre o sistema nervoso e o processo de aprendizagem em diferentes fases da vida.

Reparou no último ponto? Sim, a pedagogia já ganhou um ramo da neurociência para chamar de seu.

Qual a relação entre neurociência e aprendizagem

A neurociência ajuda a entender como o ser humano desenvolve capacidades de linguagem, criatividade e raciocínio, por meio do monitoramento da atividade cerebral de crianças e adolescentes ao realizarem tarefas cognitivas. Para isso, recorre-se a tecnologias como a ressonância magnética, a tomografia e o eletroencefalograma.

Estudos com essas tecnologias corroboraram a noção de que a aprendizagem está intimamente ligada ao desenvolvido do cérebro. Este é moldável aos estímulos do ambiente, que levam os neurônios a formarem novas sinapses.

Explicando de forma esquemática, os neurônios são as células que formam o cérebro. Eles são capazes de fazer sinapses, que são os canais de comunicação entre dois ou mais neurônios. A comunicação se dá por meio de sinais elétricos, que formam circuitos de processamento de informação.

Os estímulos ambientais fortalecem os circuitos, que se multiplicam e formam conexões cada vez mais rápidas. Eles acabam por formar uma rede, ligando diferentes regiões do cérebro.

Assim, da perspectiva da neurociência, a aprendizagem é um processo desencadeado pelo cérebro ao reagir aos estímulos do ambiente. As sinapses geradas formam circuitos que processam as informações e com capacidade de armazenamento molecular. Todo o cérebro é ativado no processo de aprendizagem, do nível molecular e celular às áreas corticais. É também a partir da observação do comportamento cerebral que é possível identificar transtornos de aprendizagem.

O debate no meio científico de unir neurociência e aprendizagem remonta à década de 1960, mas ganhou um novo fôlego com as novas descobertas na área, particularmente na neurociência cognitiva. Este subcampo estuda a ligação entre cérebro, atividades mentais superiores e comportamento, recorrendo à psicologia.

Quando aliada à psicologia, a relação entre neurociência e aprendizagem se torna ainda mais efetiva. A neurociência se concentra no estudo das alterações do cérebro durante seu funcionamento, enquanto a psicologia foca nos significados, ou seja, em como as crianças percebem, interpretam e utilizam o conhecimento adquirido.

O curioso é que a relação entre neurociência e aprendizagem veio a confirmar as principais ideias de teóricos da educação como Jean Piaget (1896-1980), Lev Vygotsky (1896- 1934), Henri Wallon (1879-1962) e David Ausubel (1918-2008). Entre elas está o impacto das emoções na retenção de informação, a importância da motivação e da atenção para estudar e a capacidade do cérebro de se modificar de acordo com experiências e o contato com o meio.

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As funções que o cérebro precisa desenvolver para aprender

Para o processo de aprendizagem ser bem sucedido, o cérebro de um indivíduo precisa desenvolver três grandes funções:

  1. Memória de trabalho: capacidade de reter e acessar informações em períodos curtos de tempo. A função é essencial para a leitura e tarefas que exigem planejamento, como resolução de problemas e jogos com instruções;
  2. Controle inibitório: capacidade de resistir a impulsos e de afastar distrações. Ou seja, manter a concentração;
  3. Flexibilidade cognitiva: capacidade de reorganizar pensamentos e práticas para adequá-los a determinados contextos.

5 mitos sobre neurociência e aprendizagem

O fascínio pelas últimas descobertas sobre a capacidade do cérebro humano levou a interpretações erradas sobre a relação entre neurociência e aprendizagem. O fenômeno até recebeu um nome-próprio em 2002 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), "neuromitos". Os mais difundidos são:

1. O ser humano usa apenas 10% da capacidade do cérebro

Este mito foi quebrado com os exames de neuroimagem, que mostram a ativação das regiões do cérebro. Neurocientistas buscaram a origem da afirmação, alertando que não foram encontradas evidências científicas de que exista alguma parte do cérebro humano que nunca fora utilizada.

Artigos científicos que desmistificam este neuromito:

2. Os lados esquerdo e direito do cérebro funcionam de forma independente

A origem deste mito está nos estudos de especialização hemisférica do cérebro, que relacionaram o lado esquerdo à linguagem e o direito ao pensamento abstrato. Apesar de boa parte do processamento da linguagem acontecer no hemisfério esquerdo, isso não significa que o lado direito não realize funções relacionadas à linguagem, e vice-versa.

Artigos científicos que desmistificam este neuromito:

3. Múltiplas inteligências

A noção de múltiplas inteligências já está ultrapassada e acaba por ofuscar as últimas descobertas da neurociência sobre a aprendizagem. Ela defende que uma pessoa tem múltiplas habilidades: linguística, lógica, espacial, cinestésica, interpessoal, intrapessoal, naturalística e musical.

O problema é que este modelo geralmente é interpretado pelo público leigo como se não houvesse correlação entre as diferentes habilidades dos sujeitos.

Artigos científicos que desmistificam este neuromito:

4. Estilos de aprendizagem baseados em pedagogias multissensoriais

Ainda faltam evidências da neurociência que comprovem os modelos de aprendizagem multissensoriais, como os que trabalham com estimulação visual, auditiva e cinestésica. Eles trabalham com o pressuposto de que as informações obtidas por meio de uma modalidade sensorial são processadas no cérebro sem se relacionar com o conteúdo aprendido a partir de outra modalidade.

Artigos científicos que desmistificam este neuromito:

5. É preciso beber bastante água para melhorar a aprendizagem

Não existem evidências concretas que associem diretamente o consumo de água com uma melhor aprendizagem.

Artigos científicos que desmistificam este neuromito:

Principais transtornos de aprendizagem explicados pela neurociência

Os transtornos de aprendizagem são definidos como distúrbios de neurodesenvolvimento. As condições neurológicas aparecem cedo na infância, antes mesmo da criança ir para a escola. Geralmente, elas prejudicam a aquisição, manutenção e aplicação de habilidades ou informações específicas.

Os transtornos de aprendizagem podem afetar as capacidades de atenção, memória, percepção, linguagem, solução de problemas ou interação social. Na prática, o estudante que apresenta algum distúrbio de neurodesenvolvimento dá estes sinais em sala de aula:

  • Dificuldade em compreender ou utilizar a linguagem falada;
  • Dificuldade em compreender ou usar a linguagem escrita;
  • Dificuldade em compreender ou usar números e raciocínio usando conceitos matemáticos;
  • Dificuldade em coordenar movimentos;
  • Dificuldade em prestar atenção em uma tarefa.

Não existe uma causa única para uma criança apresentar um transtorno de aprendizagem, contudo, questões genéticas geralmente estão envolvidas. Exposição a toxinas ambientais, desnutrição severa, traumas e privação social grave podem desencadear a condição.

Os transtornos de aprendizagem mais comuns são:

Dislexia

A dislexia é um termo geral que engloba distúrbios de leitura, matemática, ortografia, expressões escritas ou manuscritas, compreensão ou uso da linguagem verbal ou não verbal. De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia, cerca de 17% da população mundial apresenta este transtorno de aprendizagem.

As últimas descobertas da neurociência sobre aprendizagem relacionam anormalidades congênitas do desenvolvimento neural à dislexia. Ela está relacionada a disfunções de áreas cerebrais responsáveis pela linguagem, fala e interconexão entre ambas.

Dislexia fonológica

A dislexia fonológica é caracterizada pela incapacidade de decodificação de sons, manifestando-se por meio de um desempenho ruim na leitura de estímulos não familiares e na invenção de palavras.

Crianças com este transtorno de aprendizagem apresentam dificuldades em tarefas de memória de curto prazo, enquanto na leitura se baseiam no reconhecimento da palavra inteira, por terem dificuldade em relacionar os grafemas aos fonemas.

Dislexia superficial

Neste tipo de dislexia, as pessoas têm dificuldade em reconhecer as formas e estruturas das palavras, ou seja, de reconhecer a palavra pela rota lexical.

Em sala de aula, estudantes com dislexia superficial geral substituem, adicionam ou omitem as letras de palavras. Acabam tendo uma maior dificuldade com ortografia e guiam-se principalmente pela informação auditiva.

Disgrafia

Esse transtorno de aprendizagem traz prejuízos na expressão escrita, devido à alteração funcional do componente motor do ato de escrever. Ou seja, alguém com disgrafia tem problemas de caligrafia, no traçado e na forma das letras. É importante ressaltar que o estudante que apresenta a disgrafia tem um desenvolvimento intelectual normal.

A disgrafia se manifesta em habilidades de escrita aquém do esperado para a faixa etária. Geralmente, a criança não consegue escrever na velocidade exigida e tem dificuldades em alinhar, espaçar e dimensionar letras e palavras.

Lembrando que a escrita caligráfica envolve habilidades percepto-motoras e cognitivas, o que acaba por impactar o desempenho acadêmico e psicossocial do indivíduo.

Discalculia

A discalculia compromete principalmente o aprendizado de matemática. Ela se manifesta na dificuldade em solucionar questões, estimar quantidades, memorizar números e reconhecer padrões. Geralmente, quem tem esse transtorno de aprendizagem também tem dislexia.

Anarritmia

Transtorno de aprendizagem caracterizado pela dificuldade em formar conceitos básicos e adquirir aptidões de computação.

Afasia anômica ou disnomia

A afasia anômica manifesta-se na dificuldade em recordar palavras e recuperar informações da memória. Quem tem este transtorno de aprendizagem geralmente tem uma linguagem expressiva fluente, porém não consegue evocar palavras específicas. Ela acaba por recorrer a circunlóquios e palavras gerais para se comunicar, tanto na fala quanto na escrita.

Neurociência e aprendizagem lado a lado para uma educação de qualidade

Após esta breve introdução à relação entre neurociência e aprendizagem, pode parecer que este campo científico é uma panaceia para todos os problemas educacionais. Aqui fica um alerta: a neurociência é uma grande aliada para compreender e diagnosticar problemas, no entanto, ela não oferece uma fórmula pronta para um plano pedagógico incrível ou métodos de ensino infalíveis.

É preciso lembrar que a neurociência permite a compreensão de forma abrangente do desenvolvimento da criança, o que envolve a integração entre o corpo e o meio social. Não apenas o cérebro, mas os contextos social, político, cultural e econômico do estudante precisam ser considerados para oferecer um ensino de qualidade.

O professor deve unir a experiência em sala de aula com o conhecimento, mantendo-se sempre atualizado sobre os últimos estudos da pedagogia, neurociência e aprendizagem. Uma especialização é o primeiro passo para conseguir de maneira confiável as informações necessárias para transformar a educação.

Sobre o autor

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós Educação Unisinos

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