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Ensino e aprendizagem

O que é etnomatemática e como trabalhá-la em sala de aula

A etnomatemática valoriza saberes e fazeres matemáticos de outras culturas. Saiba mais sobre este conceito e como apresentá-lo aos estudantes.

Ensino e aprendizagem

Tempo de leitura: 5 min
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O conhecimento matemático não se restringe aos livros. Ele está presente em diferentes culturas e nos saberes do cotidiano. 

É um clichê dizer para os estudantes que a matemática está presente em todos os momentos da nossa vida quando o professor é questionado sobre a utilidade da disciplina. 

Mas o chavão não poderia ser mais verdadeiro. 

O raciocínio matemático é anterior à sistematização do conhecimento científico e se manifesta nas mais diferentes culturas, sendo representado em outras linguagens além das fórmulas clássicas como a de Bhaskara. 

Explorar os múltiplos saberes e fazeres matemáticos é a proposta da etnomatemática, conceito que você vai conhecer com mais detalhes por aqui. 

Você também vai ver: 

  1. O que significa etnomatemática 
  2. A etnomatemática na educação 
  3. Como trabalhar a etnomatemática em sala de aula 
    3.1 Visita ao canteiro de obras 
    3.2 Mancala, o jogo de contagem e captura 
    3.3 A bola de futebol como ferramenta de ensino da matemática 
    3.4 Geometria Sona

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O que significa etnomatemática

A etnomatemática é o conjunto de formas de matemática que são próprias de grupos culturais. 

Esta é a definição do professor Ubiratan D’Ambrosio, pioneiro nas pesquisas sobre etnomatemática. O termo foi usado pela primeira vez em um de seus artigos, “Etnomathematics and its place in the history and pedagogy of mathematics”, em 1985.

Como campo de pesquisa, a etnomatemática remonta à década de 1970, quando o ensino tradicional da matemática foi bastante criticado por desconsiderar saberes de fora da cultura europeia. 

Ela defende que a matemática está presente em todas as culturas, tendo origem nas habilidades de solução de problemas necessárias para a sobrevivência de um grupo social. Ou seja, o conhecimento prático de fora da escola e da academia, vivenciado por diferentes grupos sociais e étnicos, deve ser reconhecido e valorizado. 

Assim, a etnomatemática pesquisa os saberes e fazeres do dia a dia reconhecidos como matemáticos, como classificar, quantificar, medir e enxergar padrões. 

Se pensarmos a matemática como uma linguagem, o conceito de etnomatemática faz ainda mais sentido. Assim como existem diferentes idiomas e formas de expressão, existe uma variedade de “matemáticas” mundo afora. 

Hoje, a etnomatemática é um campo de pesquisa amplo e sua definição continua em debate no meio científico. Ela é discutida a partir das dimensões educacional, conceitual, histórica, cognitiva, epistemológica e política. 

Daqui em diante, vamos nos concentrar na dimensão educacional, especificamente em como levar a etnomatemática para a sala de aula. 

A etnomatemática na educação

Quer dizer que a forma como ensinamos matemática hoje nas escolas está errada?

Não. 

O que a etnomatemática propõe é o respeito à diversidade de conhecimento e a soma de saberes, e não a anulação de um em detrimento do outro. 

O conceito pressupõe que todo professor de matemática considere o conhecimento prévio do estudante, adquirido no contexto em que ele está inserido. Isso, aliás, é essencial para que a aprendizagem significativa ocorra.

Uma fala do professor Ubiratan D’Ambrósio, em entrevista para a UNIVESP TV, ilustra uma situação comum no ensino da matemática nos primeiros anos da educação básica:

“O grande erro é ensinar o ‘jeito certo' porque será cobrado no exame. A criança está em um curso de pensamento, no curso de desenvolver a sua maneira de se apropriar de uma questão e dos métodos para tratar aquele problema, mas há uma interrupção. O exemplo mais trivial é proibir a criança de contar com os dedos. Isso mata a criatividade. Deixe-a contar com os dedos para ver aonde ela chega, e ela chega a um resultado.”

Em outras palavras, a escola deve ser um espaço de encontro entre diferentes saberes e fazeres matemáticos, que estimule os estudantes a explorarem as diferenças e paralelismo. As formas de resolver problemas de outros grupos sociais são levados para sala de aula para estimularem o diálogo. 

Assim, a prática pedagógica inspirada na etnomatemática amplia os saberes dos estudantes ao mesmo tempo que estimula a valorização de outras culturas. 

Como trabalhar a etnomatemática em sala de aula

Agora que você já sabe mais sobre o conceito de etnomatemática, deve estar se perguntando como usá-lo no seu trabalho. 

A etnomatemática pode ser vista como uma inspiração para as atividades que você vai fazer em sala com seus estudantes, não tendo que aparecer literalmente no seu plano de aula.

Ela também é uma forma do professor de matemática contribuir com o ensino da cultura afro-brasileira, que se tornou obrigatório para todas as escolas do país com a Lei 10.639/2003. 

A seguir, você vai encontrar 4 ideias de como trabalhar a etnomatemática em sala de aula. Mas você pode aprender ainda mais sobre o assunto no curso Math Revolution: tendências em educação matemática da Pós Educação Unisinos. 

A especialização oferece uma disciplina exclusiva sobre etnomatemática. As aulas são 100% online e ministradas por autores referência no mundo da educação.

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1. Visita ao canteiro de obras

Atividade indicada para estudantes do Ensino Médio. Os estudantes devem conversar com profissionais da construção civil, como engenheiros, mestres de obra e pedreiros, para levantar informações sobre a matemática usada nas obras. O ideal é separá-los em equipes que, depois terão que apresentar para toda a turma suas conclusões. 

Depois da pesquisa, os grupos devem apresentar para os colegas os saberes e fazeres matemáticos de uma construção, como o cálculo de área para saber quanto de revestimento comprar ou a determinação do desnível entre dois pontos de um terreno. A ideia é que eles façam conexões entre a matemática usada fora da escola e o conteúdo da disciplina, como a trigonometria. 

Para entender todos estes saberes, os estudantes serão desafiados a descrevê-los e representá-los, processo chamado de etnomodelagem ou de modelagem matemática.

2. Mancala, o jogo de contagem e captura

etnomatematica-mancala

Você pode aliar a etnomatemática à gamificação e levar jogos de tabuleiro mancala, bastante populares em sociedades africanas e asiáticas.

Também chamado de jogo de semeadura ou jogo de contagem e captura, o mancala estimula o raciocínio lógico-matemático. O termo engloba uma família de jogos que têm como objetivo colher o maior número de peças. 

O tabuleiro consiste em duas filas com 6 casas cada, além de dois espaços grandes em cada ponta, chamados de “armazéns”. São usadas 48 fichas ao todo. 

O jogo pode ser comprado em lojas online ou ser confeccionado com caixas de ovos. As fichas podem ser substituídas por feijões ou sementes. Ele é indicado para crianças a partir de 5 anos de idade. 

No site Nova Escola, você encontra as regras do mancala e um tabuleiro disponível para download.

3. A bola de futebol como ferramenta de ensino da matemática

Uma bola de futebol pode ensinar geometria e muito mais. O livro "Mundial de futebol e de trançados" (2013) explica de maneira didática e divertida a matemática por trás da bola, além de trazer uma boa lição de história sobre as origens do equipamento. Tudo começou com os trançados orientais, passando por um chapéu de Moçambique, um ornamento da China e uma coroa dos povos indígenas timbira. 

O livro foi escrito pelo pesquisador e professor de matemática Paulus Gerdes. Ele está disponível para download gratuito.

4. Geometria Sona

etnomatematica-lusona

A última ideia de levar a etnomatemática para a sala de aula vem do povo Tchokwe, do nordeste da Angola. A Geometria Sona consiste em desenhos geométricos feitos na areia para representar conteúdos matemáticos. 

É uma forma de escrita milenar usada na transmissão do conhecimento para as novas gerações. O método de ensino se baseia no relato de uma história por meio de pontos e linhas. As ilustrações podem representar provérbios, fábulas, jogos, mitos, cantos, leis e enigmas. 

Com as pontas dos dedos, o narrador desenha na areia uma grade de pontos, espalhados de forma regular. Em seguida, ele os contorna com linhas retas e curvas, com uma inclinação de 45°. As linhas devem ser equidistantes dos pontos, que são a base da história. O dedo não deve ser levantado da areia em momento algum. 

Bem diferente das fórmulas com as quais estamos acostumados, não é mesmo? Os sona mostram que não existe uma única maneira de expressar os saberes matemáticos. 

Você pode usar a Geometria Sona para trabalhar conteúdos como: 

  • Análise combinatória;
  • Mínimo múltiplo comum (MMC);
  • Máximo dividsor comum (MDC);
  • Conceitos de ângulos;
  • Conceitos de simetria.

Esperamos que este artigo sobre etnomatemática ajude você a pensar em novas formas de ensinar matemática para suas turmas. Se você quiser conhecer mais métodos de ensino, confira os artigos sobre ensino e aprendizagem do Blog da Pós Educação Unisinos.

Sobre o autor

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós Educação Unisinos

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