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José Pacheco e a Escola da Ponte: exemplo de inclusão e inovação na educação

Inspire-se com a trajetória de José Pacheco, que desenvolveu um projeto pedagógico inovador na Escola da Ponte e se tornou referência mundial em educação.

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Tempo de leitura: 6 min
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“Uma escola não é um prédio. Escola são as pessoas”

José Pacheco, na abertura do II Congresso de Educação, em 2021

Desde que começou a atuar como educador, na década de 1970, o português José Pacheco defende uma revolução no meio educacional.

Para ele, o modelo atual de aulas e provas deveria ser abandonado para dar lugar a oficinas, círculo de estudos, projetos de formação e tertúlias.

As ideias dele tomaram forma com a Escola da Ponte, instituição de ensino pública portuguesa que hoje é referência mundial em inclusão e inovação na educação. Há filas de espera tanto de professores quanto de estudantes para frequentarem o espaço, que atualmente atende 230 crianças de 5 a 13 anos de idade.

Se você também acredita na transformação da educação, a história de José Pacheco e a Escola da Ponte são uma ótima inspiração para suas práticas pedagógicas. Conheça a seguir trajetória de um dos maiores educadores do mundo.

Quem é o professor José Pacheco

José Pacheco é referência mundial em educação inclusiva e práticas pedagógicas inovadoras. Nascido em 1951, na cidade do Porto, em Portugal, quase se tornou um engenheiro eletrônico, mas encontrou no magistério sua vocação. "Percebi que na engenharia teria menos a descobrir, enquanto na educação ainda estava tudo por fazer", relembra Pacheco em entrevista para a Nova Escola, em 2002.

José Pacheco iniciou a carreira docente em 1972 e assumiu a Escola da Ponte em 1976. Na época, a instituição era como as outras escolas públicas de Portugal, com turmas divididas em séries e com um professor responsável por cada disciplina. Ela também acolhia estudantes considerados indisciplinados e que foram expulsos de outros colégios.

Com a ajuda de outros dois educadores, Pacheco não só transformou a Escola da Ponte em um espaço acolhedor, mas inovou nos métodos de ensino. Ele ficou quase 30 anos à frente da instituição, além de coordenar o projeto "Fazer a Ponte", que ganhou o prêmio do Concurso Experiências Inovadoras no Ensino, promovido pelo Ministério da Educação de Portugal. Pacheco também recebeu a honraria Grão-mestre das Ordens Honoríficas Portuguesas, da República Portuguesa, e a Ordem da Instrução Pública, maior premiação que o governo português concede a profissionais da área de educação.

Em 1995, concluiu um mestrado em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto – a dissertação de José Pacheco pode ser lida na íntegra neste link. Quatro anos depois, passou a integrar o Conselho Nacional de Educação de Portugal, atuando como conselheiro até 2002. Em 2005, mudou-se definitivamente para o Brasil.

Aqui, coordenou a pesquisa sobre indicadores de boa qualidade da educação no Distrito Federal, no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Fez parte do Grupo de Trabalho de Inovação e Criatividade da Educação Básica do MEC e foi facilitador do Gaia Brasil, de 2009 a 2016. Em 2008, ao lado da arquitetura Cláudia Passos Sant’Anna, funda a EcoHabitare Consultoria e Projetos Educacionais, que ajuda instituições e comunidades a desenvolverem ecossistemas de inovação educacional.

Atualmente é diretor pedagógico dos projetos de formação do Instituto Gaia Escola e coordenador pedagógico dos projetos de formação da EcoHabitare. Paralelamente, realiza viagens por todo o país para dar palestras e promover cursos, mobilizando assim professores interessados em transformar a educação. Também é um dos autores referência que integram o corpo docente da Pós Educação Unisinos.

Livros escritos por José Pacheco

Em mais de 40 anos de magistério, José Pacheco compartilhou as experiências da Escola da Ponte em 19 livros:

  1. “Quando eu for grande, quero ir à primavera” (2000);
  2. “Sozinhos na Escola” (2003);
  3. “Escola da Ponte: um outro caminho para a educação” (2004);
  4. “Caminhos para a inclusão” (2006);
  5. “Para Alice, com amor” (2007);
  6. “Escola da Ponte: formação e transformação da educação” (2008);
  7. “Para os filhos dos filhos dos nossos filhos” (2008);
  8. “Pequeno dicionário de absurdos em educação” (2009);
  9. “Pequeno dicionário das utopias da educação” (2009);
  10. “Dicionário de valores” (2012);
  11. “Inclusão não rima com solidão” (2012);
  12. “Escola da Ponte - Vila Das Aves – Portugal" (2012);
  13. “A avaliação da aprendizagem na Escola da Ponte” (2012);
  14. “A Escola da Ponte sob múltiplos olhares: palavras de educadores, alunos e pais” (2013);
  15. “Crônicas Educação – Denunciar e Anunciar, vol. 1” (2013);
  16. “Crônicas Educação – Denunciar e Anunciar, vol. 2” (2014);
  17. “Aprender em comunidade” (2014);
  18. “Escola da Ponte: uma escola pública em debate” (2015);
  19. “Inovar é assumir um compromisso ético com a educação” (2019).

A Escola da Ponte

Localizada em São Tomé de Negrelos, em Santo Tirso, no distrito do Porto, a Escola da Ponte existe como projeto educacional inovador desde 1976. Antes disso, uma escola já funcionava no local desde 1932.

Tudo mudou quando José Pacheco e outras duas professoras questionaram por que, apesar de uma aula tão bem dada, havia crianças que não aprendiam. A solução que eles encontraram foi mudar paulatinamente de método, recorrendo a novas técnicas e espaços de convivência.

Os três iniciaram assim o projeto “Fazer a Ponte”. Também foi fundamental para a transformação da Escola da Ponte a criação da Associação de Pais ainda em 1976, que apoiou a implementação e desenvolvimento do projeto.

Uma das primeiras mudanças aconteceu na organização espacial da Escola da Ponte. A disposição das carteiras das salas de aula foi alterada e, em 1984, foi dado o início ao trabalho em área aberta, após reformas no prédio. Outra iniciativa foi a publicação do jornal escolar Dia a Dia, em 1977, escrito pelos estudantes, que noticiavam o que se passava na escola e na comunidade.

A formação dos professores também passou por mudanças, incluindo a modalidade de círculo de estudo. A partir de 1996, a Escola da Ponte já podia selecionar os docentes de acordo com o projeto pedagógico.

A inclusão de crianças com deficiência é outro diferencial da Escola de Ponte, que investiu em estrutura e condições para garantir a esses estudantes o acesso a uma educação de qualidade e a uma vida adulta autônoma. Elas estudam no mesmo processo de ensino que as demais, participando de grupos, autoavaliações e discussões das regras da comunidade.

No ano 2000, a Escola da Ponte ganhou a classificação de "eco-escola", por trabalhar com os estudantes questões de preservação ambiental. Seis anos depois, foi uma das dez instituições de ensino europeias selecionadas para o Guia de Experiência Inovadoras, por ser um exemplo de baixos índices de evasão escolar. Hoje a Escola da Ponte recebe centenas de visitantes todos os anos e é objeto de estudo de pesquisas científicas no mundo inteiro.

Qual a pedagogia da Escola da Ponte

A pedagogia da Escola da Ponta é chamada de "Fazer a Ponte" e tem como objetivo a formação de indivíduos autônomos, responsáveis e solidários. Ela forma cidadãos comprometidos com a democracia e com a construção de um projeto de sociedade baseado nas qualidades de cada ser humano.

Na pedagogia da Escola da Ponte, existem dois tipos de currículo: o objetivo e o subjetivo. O primeiro serve como um norte de realização, enquanto o segundo se baseia no desenvolvimento pessoal de cada estudante. É o currículo subjetivo que dá sentido ao objetivo.

A principal característica do projeto pedagógico da Escola da Ponte é a abolição da organização em turmas e classes. Estudantes de diferentes idades formam grupos a partir de interesses comuns e desenvolvem projetos de pesquisa. As equipes são formadas de acordo com o tema e as relações afetivas que as crianças criam.

No âmbito individual, o processo de aprendizagem de cada estudante é dividido em três núcleos diferentes:

1. Iniciação

Estudante é tutorado para aprender as regras de convívio, além de entender os compromissos que assume consigo mesmo e com os outros no processo de aprendizagem.

2. Consolidação

A tutoria é menos frequente e o estudante tem maior autonomia para transitar nos espaços da Escola da Ponte. Ele também passa a estudar de forma autônoma o currículo nacional do 1º ciclo de ensino básico.

3. Aprofundamento

O estudante tem autonomia plena para gerenciar as próprias atividades e da coletividade, assumindo o estudo do currículo nacional do 2º ciclo.

O estudante pode escolher um membro da comunidade escolar como tutor, como um funcionário, professor ou pai, que será responsável por orientá-lo no percurso pedagógico. A forma de avaliação é estabelecida entre tutor e discente, abandonando assim o modelo convencional das provas.

As disciplinas dão lugar a seis dimensões, que contam com o apoio de professores, pedagogos e psicólogos. As dimensões da Escola da Ponte são:

  1. Linguística: língua portuguesa, inglesa, francesa e alemã;
  2. Lógico-matemática;
  3. Naturalista: ciências da natureza, ciências naturais, físico-química e geografia
  4. Identitária: história e geografia de Portugal e história geral;
  5. Artística: expressão musical, dramática, plástica e motora, educação física, educação visual e tecnológica;
  6. Pessoal e social: formação pessoal, ensino especial e psicologia.

Qual o papel do professor na Escola da Ponte

O professor é um orientador educativo na Escola da Ponte e não um mero transmissor de conhecimento, sendo responsável pelo acompanhamento das questões de aprendizagem acadêmica e das comportamentais. Ele é imerso em uma cultura colaborativa, recebendo apoio de outros colegas e participando de círculos de estudos para trocar experiências.

Muitos dos professores da Escola da Ponte, inclusive, foram estudantes da instituição. Não é exigida uma formação específica para atuar nessa escola e, geralmente, os ingressantes passam por um período de adaptação.

A Escola da Ponte no Brasil

O projeto pedagógico da Escola da Ponte inspirou iniciativas no Brasil, muitas orientadas por José Pacheco. A Escola Municipal Desembargador Amorim Lima, a Escola Estadual Campos Sales e o Projeto Âncora, do estado de São Paulo, e a Escola Classe Comunidade de Aprendizagem do Paranoá, no Distrito Federal, são alguns exemplos. Todas apostaram no trabalho em área aberta, na autonomia do estudante para definir o roteiro de estudos e na tomada de decisão em conjunto com a comunidade.

Outra iniciativa brasileira inspirada na Escola da Ponte e que contou com o apoio de Jose Pacheco é o Instituto Gaia Escola, que forma educadores para repensarem os paradigmas da escola tradicional. O instituto está presente em 28 municípios e em 117 núcleos de projeto.

Sobre o autor

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós Educação Unisinos

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