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Ensino e aprendizagem

A importância da educação financeira nas escolas

Trabalhar a educação financeira nas escolas contribui para a formação de jovens autônomos, responsáveis e conscientes. Saiba como abordar o assunto em sala.

Ensino e aprendizagem

Tempo de leitura: 6 min
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Crise econômica, vulnerabilidade social e empregos precários. Estes são alguns fatores que empurram os brasileiros ao endividamento. Não existe uma solução fácil para isso, mas uma ferramenta abre caminhos para melhorar a qualidade de vida das pessoas: a educação financeira. 

Para você ter uma ideia da dimensão do problema, o nível de endividamento médio das famílias brasileiras em 2021 foi o maior em 11 anos, alcançando a marca de 70,9%. O cartão de crédito foi a principal fonte de dívidas, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Os números refletem o impacto econômico da pandemia na vida das pessoas, mas implicitamente carregam outros fatores sociais, culturais e psicológicos que influenciam a forma como o indivíduo se relaciona com o dinheiro. 

Saber reagir em um cenário de incertezas é um dos objetivos da educação financeira, tema transversal da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Você vai aprender mais sobre o assunto a seguir, confira: 

  1. O que é educação financeira 
    1.1 A diferença entre matemática financeira e educação financeira 
  2. O que a BNCC diz sobre educação financeira 
    2.1 As habilidades da educação financeira 
  3. Por que abordar a educação financeira nas escolas é tão importante 
  4. O que ensinar sobre educação financeira nas escolas 

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O que é educação financeira

A educação financeira é um processo voltado para melhorar a compreensão de indivíduos e grupos sobre conceitos e produtos do mundo das finanças. O objetivo é oferecer informação, formação e orientação para que as pessoas desenvolvam as competências necessárias para lidarem com as oportunidades e riscos envolvidos no sistema econômico atual. 

Essa é a definição da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e adotada pelo governo brasileiro no programa Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), que desde 2010 realiza cursos e pesquisas sobre o tema, além de elaborar material didático para o Ensino Fundamental e Médio. 

A educação financeira só entrou de forma sistematizada na educação básica com a BNCC. Antes, ele era abordado na ENEF, que ainda mantém programas de capacitação de professores da rede pública para abordar o assunto em sala de aula a partir dos primeiros anos do Ensino Fundamental. 

A diferença entre matemática financeira e educação financeira

Quando pensamos em educação financeira, a primeira disciplina escolar que nos vem à menta é a matemática, certo? 

Por isso é importante refletirmos sobre a distinção entre dois termos antes de prosseguirmos com o texto. 

A matemática financeira abrange a aplicação de conhecimentos matemáticos à análise de questões relacionadas à dinheiro. Já a educação financeira é bem mais ampla, ao tratar sobre a formação de comportamentos individuais e coletivos relacionados às finanças. 

O que a BNCC diz sobre educação financeira

A educação financeira é apresentada como um tema contemporâneo transversal e integrador na BNCC. O trabalho do assunto em sala de aula está previsto no Parecer CNE/CEB nº 11/2010 e na Resolução CNE/CEB nº 7/2010. 

Isso significa que o assunto pode e deve ser abordado em diferentes componentes curriculares, pois está conectado a todas as competências gerais da Base. No entanto, ele não é obrigatório. A decisão de inserir a educação financeira nas escolas fica a cargo dos secretários municipais e estaduais, que definem as prioridades dos documentos direcionadores das redes de ensino. 

Já em matemática o ensino de conceitos básicos de economia e finanças é obrigatório nos anos finais do Ensino Fundamental. Eles estão previstos na unidade temática “Números”, que tem como principal objetivo desenvolver o pensamento numérico, incluindo a interpretação de argumentos baseados em quantidades. 

A Base sugere alguns conteúdos que podem ser trabalhados pelo professor: 

  • Taxas de juros; 
  • Inflação; 
  • Aplicações financeiras; 
  • Rentabilidade e liquidez de investimentos; 
  • Impostos. 

No Ensino Médio, a abordagem é mais abrangente. A educação financeira é mencionada explicitamente na área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, como parte das categorias “Política e Trabalho”. 

O foco é compreender o sistema monetário contemporâneo nacional e internacional, contribuindo assim para o desenvolvimento de uma visão crítica e consciente sobre o mundo atual em cada estudante. 

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As habilidades da educação financeira

A BNCC de Matemática sugere a educação financeira como contexto para trabalhar o conteúdo de 4 habilidades:

EF05MA06
  • A partir do 5º ano do Ensino Fundamental 

Associar as representações 10%, 25%, 50%, 75% e 100% respectivamente à décima parte, quarta parte, metade, três quartos e um inteiro, para calcular porcentagens, utilizando estratégias pessoais, cálculo mental e calculadora, em contextos de educação financeira, entre outros. 

EF06MA13
  • A partir do 6º ano do Ensino Fundamental 

Resolver e elaborar problemas que envolvam porcentagens, com base na ideia de proporcionalidade, sem fazer uso da “regra de três”, utilizando estratégias pessoais, cálculo mental e calculadora, em contextos de educação financeira, entre outros. 

EF07MA02
  • A partir do 7º ano do Ensino Fundamental 

Resolver e elaborar problemas que envolvam porcentagens, como os que lidam com acréscimos e decréscimos simples, utilizando estratégias pessoais, cálculo mental e calculadora, no contexto de educação financeira, entre outros. 

EF09MA05
  • A partir do 9º ano do Ensino Fundamental 

Resolver e elaborar problemas que envolvam porcentagens, com a ideia de aplicação de percentuais sucessivos e a determinação das taxas percentuais, preferencialmente com o uso de tecnologias digitais, no contexto da educação financeira. 

Todas essas habilidades da BNCC podem ser incluídas no seu plano de aula de matemática.

Lembre-se de que abordar a educação financeira nas escolas não se restringe aos conteúdos acima. Ela pode ser trabalhada nas habilidades de outras áreas do conhecimento, como nos exemplos abaixo: 

Língua Portuguesa – Campo da vida cotidiana: EF04LP09
  • 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental 

Ler e compreender, com autonomia, boletos, faturas e carnês, dentre outros gêneros do campo da vida cotidiana, de acordo com as convenções do gênero (campos, itens elencados, medidas de consumo, código de barras) e considerando a situação comunicativa e a finalidade do texto. 

Ciências – Matéria e energia: EF08CI04
  • A partir do 8º ano do Ensino Fundamental 

Calcular o consumo de eletrodomésticos a partir dos dados de potência (descritos no próprio equipamento) e tempo médio de uso para avaliar o impacto de cada equipamento no consumo doméstico mensal. 

Ciências da Natureza e suas Tecnologias – Competência 1: EM13CNT106
  • Ensino Médio 

Avaliar, com ou sem o uso de dispositivos e aplicativos digitais, tecnologias e possíveis soluções para as demandas que envolvem a geração, o transporte, a distribuição e o consumo de energia elétrica, considerando a disponibilidade de recursos, a eficiência energética, a relação custo/benefício, as características geográficas e ambientais, a produção de resíduos e os impactos socioambientais e culturais.

Por que abordar a educação financeira nas escolas é tão importante

Falar sobre dinheiro no Brasil é um tabu. Pense em exemplos do seu dia a dia: seus colegas de trabalham falam abertamente o salário que recebem? Os pais revelam para os filhos o orçamento de casa? 

Não tocar no assunto é um dos fatores que contribuem para o endividamento das famílias, além do cenário econômico atual do país. 

A educação financeira nas escolas entra no currículo para formar cidadãos conscientes financeiramente e, indiretamente, levar o tema para a casa dos estudantes. O conhecimento, assim, tira as crianças de um lugar de desfavorecimento e se torna uma ferramenta de mobilidade social. 

Na prática, crianças e adolescentes vão ser capazes de tomar decisões financeiras que os ajudem a realizar seus planos de vida, no curto, médio e longo prazo. 

O assunto é tão relevante na contemporaneidade que é avaliado no Programme for International Student Assessment (Pisa), realizado a cada 3 anos pela OCDE. A prova abrange conteúdos de letramento financeiro, que são: 

  • Dinheiro e transações financeiras; 
  • Planejamento e manejo de finanças;
  • Risco e recompensa;
  • Aplicação e entendimento de conceitos. 

No Pisa de 2018, o Brasil ficou em 17º lugar entre 20 países na avaliação de competências financeiras.

Ao serem indagados sobre onde aprendem sobre dinheiro, quase 90% dos estudantes brasileiros responderam que é em casa. A internet aparece em segundo lugar, com 80,6%, seguida por televisão e rádio (61,2%), professores (46,2%), amigos (43%) e revistas (32,1%). As escolas não aparecem na lista. 

Sim, O caminho para implementação da educação financeira nas escolas brasileiras é longo, mas já demos os primeiros passos. O número de programas sobre esta temática cresceu 73% entre 2013 e 2018, ano em que metade deles passou a contemplar as instituições de ensino da rede pública. Os dados são da Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF).

O que ensinar sobre educação financeira nas escolas

Quer contribuir com a promoção da educação financeira nas escolas? 

O primeiro passo é focar na sua formação. Afinal, é preciso primeiro aprimorar seus conhecimentos sobre o mundo das finanças antes de compartilhá-los com suas turmas. 

O curso Math Revolution: tendências contemporâneas em educação matemática da Pós Educação Unisinos tem um módulo exclusivo sobre educação financeira.

As aulas são 100% online e ministradas por professores que já estão reinventando a educação. Garanta sua vaga para as próximas turmas! 

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Outro bom ponto de partida é consultar os livros produzidos pelo ENEF e verificar quais conteúdos podem ser incluídos no seu plano de aula. Você pode consultá-los nos links abaixo: 

Por ser um tema transversal, a educação financeira nas escolas pode ser trabalhada em diferentes áreas, não somente na matemática. Confira algumas sugestões do portal Nova Escola:

  • Matemática: contextualizar o conteúdo de juros simples e compostos com o dia a dia das finanças pessoais; 
  • Filosofia: abordar a ética a partir dos impactos sociais do dinheiro; 
  • Ciências da Natureza: relação entre consumo e meio ambiente; 
  • História: mudanças de moeda e hiperinflação no Brasil; 
  • Linguagens: vocabulário relacionado a finanças e leitura de gráficos e boletos;
  • Geografia: conceitos de macro e microeconomia, indicadores socioeconômicos; 

É importante aproximar o conteúdo da realidade dos estudantes, considerando os contextos socioeconômicos da comunidade da qual eles fazem parte. Essa estratégia vale não apenas para a educação financeira, mas para o ensino da matemática e de outras disciplinas como um todo.

Mais uma fonte de inspiração para trabalhar a educação financeira é um projeto elaborado para o 4º ano do Ensino Fundamental e disponibilizado pelo Ministério da Educação (MEC). Ele se chama “Empreender para compreender: educação financeira na prática” e propõe que os estudantes criem um negócio no ramo do comércio. A ideia é que eles vivenciam a dinâmica financeira do dia a dia.

O Banco Central também oferece conteúdo gratuito para ser trabalhado por professores no portal Aprender Valor. O programa foi implementado em 2020, em caráter experimental, em escolas selecionadas do Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e Paraná, além do Distrito Federal.

Escolas interessadas podem aderir ao programa pelo site.

Sobre o autor

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós Educação Unisinos

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