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Ensino e aprendizagem

O que todo educador precisa saber sobre desenvolvimento cognitivo

Saiba o que significa desenvolvimento cognitivo, os principais estágios em que ele é dividido e como estimulá-lo na sua turma.

Ensino e aprendizagem

Tempo de leitura: 7 min
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Durante suas aulas, você já se pegou imaginando como o conteúdo que você está passando é assimilado pela sua turma?

Fica mais fácil de entender quando estudamos como a neurociência explica a aprendizagem. Um dos conceitos básicos é o de desenvolvimento cognitivo, que ganhou notoriedade na Pedagogia com os estudos do biólogo Jean Piaget (1896-1980).

Aqui você vai aprender o essencial sobre esse conceito, além de como estimular o desenvolvimento cognitivo com atividades simples, para serem feitas em grupo no ambiente escolar.

Você também vai ver:

  1. O que significa cognição
    1.1 Os processos cognitivos
  2. O que é desenvolvimento cognitivo
    2.1 A teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget
  3. Os 4 estágios do desenvolvimento cognitivo
    3.1 Estágio sensório-motor
    3.2 Estágio pré-operatório
    3.3 Estágio operatório-concreto
    3.4 Estágio operatório-formal
  4. Como estimular o desenvolvimento cognitivo dos estudantes

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O que significa cognição

Cognição é a capacidade de todo indivíduo de processar informações que se originam de diferentes fontes para transformá-las em conhecimento. Elas podem vir da percepção dos estímulos do ambiente, da experiência e de nossas características pessoais, como crenças e valores.

De forma geral, o termo “cognição” se refere ao que está relacionado ao conhecimento, ou seja, ao acúmulo de informações adquiridas por meio da aprendizagem e da experiência. Esse processo é estudado por diferentes campos científicos, como a neurociência, a psicologia e a antropologia.

A psicologia, em especial, deu grandes contribuições para entendermos como o processamento das informações influencia o nosso comportamento e como adquirimos conhecimento. Foi Jean Piaget quem trouxe grandes avanços para as pesquisas sobre o desenvolvimento cognitivo e aprendizagem na década de 1950, que vamos detalhar mais adiante.

Já a neurociência e os avanços nos exames de imagem contribuíram para entender o funcionamento do sistema nervoso durante o processo de aquisição de conhecimento, além de entender como os processos mentais influenciam comportamentos e emoções.

Os processos cognitivos

Os processos cognitivos são os recursos que todo indivíduo tem para adquirir, processar e transformar informações, que também vão ajudar na tomada de decisões. Eles podem se manifestar de forma orgânica ou artificial, consciente ou inconsciente, mas sempre de maneira rápida e integrada.

Os processos cognitivos básicos são:

  • Percepção
  • Atenção
  • Memória
  • Pensamento
  • Linguagem
  • Aprendizagem
Percepção

A percepção se refere à capacidade de adquirir novas informações por meio dos estímulos captados pelos sentidos. Aqui estamos falando dos 5 sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato) e também da propriocepção e da interocepção.

A propriocepção é o sentido que nos ajuda na orientação espacial, enquanto a interocepção é o sentido que nos dá consciência sobre o nosso corpo, nos alertando quando estamos com fome ou sede.

Atenção

A atenção é fundamental no processamento de um estímulo ou atividade que se converterá em conhecimento. Ela é indispensável para a regulação dos demais processos cognitivos, da percepção à aprendizagem, e, consequentemente, para o desenvolvimento cognitivo.

Memória

A memória é a função cognitiva que nos ajuda a codificar, armazenar e acessar informações. Ela pode ser dividida em diferentes tipos, sendo os principais:

  • Memória de curto prazo: capacidade de reter informações durante um curto período de tempo;
  • Memória de longo prazo: capacidade de reter informações por um longo período de tempo;
  • Memória declarativa: subcategoria da memória de longo prazo. É a capacidade de adquirir conhecimento por meio da linguagem, da educação formal e de experiências pessoais;
  • Memória processual: subcategoria da memória de longo prazo. A aquisição de conhecimento acontece por meio da repetição, da rotina.
Pensamento

O pensamento é o que nos permite unir todas as informações recebidas via os demais processos cognitivos, além de criar relações entre acontecimentos e conhecimento.

Para isso, o pensamento recorre a funções executivas como o raciocínio, a síntese e a resolução de problemas.

Linguagem

A linguagem é a capacidade de se expressar por meio da palavra, sendo indispensável para comunicação, organização e transmissão de informações.

Aprendizagem

É o processo cognitivo em que novas informações são adicionadas ao conhecimento prévio do indivíduo, como novos comportamentos e hábitos.

>>> Saiba mais sobre a aprendizagem significativa.

O que é desenvolvimento cognitivo

O desenvolvimento cognitivo é o processo de ampliação da capacidade de um ser humano de processar informações, o que envolve a aquisição de recursos conceituais, habilidades perceptivas, aprimoramento da linguagem e demais aspectos relacionados ao amadurecimento do cérebro. 

Em suma, é o processo de desenvolvimento da capacidade de um indivíduo de pensar e compreender. O termo também se refere a um campo de estudo da neurociência, psicologia e neuropedagogia.

Existem cinco abordagens principais de estudo sobre o desenvolvimento cognitivo na psicologia e pedagogia. Mais adiante vamos nos aprofundar nas teorias de Piaget, mas é importante conhecer os fundamentos das demais.

Conheça as principais características das quatro abordagens sobre desenvolvimento cognitivo:

1. Paradigma piagetiano

Para Jean Piaget, a inteligência se organiza por meio de estruturas que mediam as funções invariantes e os conteúdos comportamentais. 

Os conteúdos comportamentais variam de acordo com a faixa etária da criança. As funções invariantes definem a essência e as características da atividade da inteligência, não se alterando com a idade do indivíduo. Elas serão explicadas com mais detalhes no próximo tópico.

A atividade da inteligência é um processo ativo e organizado de assimilação de novas  informações, que são relacionadas a conhecimentos prévios. Assim, a inteligência se modifica a todo momento, de acordo com fatores internos e externos.

2. Paradigma neopiagetiano

Preenche lacunas da teoria anterior, ao estudar também a variabilidade do comportamento dependendo do contexto social, tipo de tarefa, materiais e instruções repassadas para a criança.

3. Paradigma do processamento de informação

O desenvolvimento cognitivo é comparado ao funcionamento de um computador. A inteligência é um processo de busca de estratégias para a resolução de problemas.

A mente seria um sistema lógico complexo, que apreende uma informação para convertê-la em uma representação mental e conservá-la na memória. O significado seria atribuído por meio da comparação com informações previamente adquiridas.

4. Paradigma contextual

As interações com o ambiente social são as grandes responsáveis pelo desenvolvimento cognitivo. Dessa forma, essa abordagem se diferencia das demais por colocar em segundo plano a constituição individual e interna da criança.

5. Paradigma biológico-maturacional

O desenvolvimento cognitivo se dá por meio da dotação genética e do amadurecimento do cérebro.

A teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget

jean-piaget-desenvolvimento-cognitivoApesar da formação em biologia, Jean Piaget revolucionou a forma como os profissionais da educação encaram a aprendizagem e o desenvolvimento infantil. Créditos: Wikimedia Commons.

Ao longo de seus estudos, Jean Piaget buscou entender como se desenvolve a inteligência da criança. Para o biólogo, ela se modifica junto ao crescimento do indivíduo, partindo de uma inteligência prática, que ajuda o ser humano a se adaptar ao meio, para chegar à inteligência propriamente dita.

É neste último estágio que a criança já consegue elaborar hipóteses, solucionar situações problemas e praticar um raciocínio lógico.

Assim, o desenvolvimento cognitivo se dá pela combinação de hábitos, reflexos inatos e experiências adquiridas a partir do contato com o meio.

A ação do sujeito é determinante para a construção de conhecimentos, sempre envolvendo dois movimentos, chamados de funções invariantes. Eles são chamados assim pois não se alteram com o crescimento da criança.

As funções invariantes do desenvolvimento cognitivo são:

  1. Assimilação: ajuste do objeto à estrutura de um organismo durante o processo adaptativo. A criança tenta associar a experiência de novas situações a conhecimentos anteriores;
  2. Acomodação: ajuste do organismo às exigências do objeto durante o processo adaptativo. A criança se modifica na tentativa de compreender a situação encontrada.

Ambas são necessárias para chegar ao equilíbrio da atividade mental. Piaget explica que o equilíbrio é uma propriedade intrínseca e constitutiva da vida orgânica e mental. Todo ser humano precisa se adaptar ao meio para sobreviver, nem que tenha que alterá-lo. Nesta ação, ele acaba por modificar-se a si mesmo, buscando equilibrar as necessidades internas com as situações externas.

Por causa desta busca constante pelo equilíbrio entre fatores externos e internos, assimilação e acomodação, é que a inteligência se altera constantemente. Ela chega à sua capacidade plena após uma série de estágios, que vamos explicar a seguir.

Os 4 estágios do desenvolvimento cognitivo de Piaget

Jean Piaget divide o desenvolvimento cognitivo em 4 estágios principais: sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal. É na transição entre eles que há maiores chances de acontecer o desequilíbrio entre assimilação e acomodação.

A divisão proposta pelo biólogo não é estanque, ou seja, não necessariamente uma criança com dois anos de idade automaticamente terá passado do estágio sensório-motor para o pré-operatório.

Ela serve como um guia para o trabalho do educador, que tem parâmetros para saber quando encaminhar uma criança para a equipe de apoio pedagógico ou para o Atendimento Educacional Especializado (AEE).

>>> Conheça os principais transtornos de neurodesenvolvimento.

1. Estágio sensório-motor

  • Faixa etária: do nascimento aos 18-24 meses de idade

A criança possui uma inteligência prática, baseada na manipulação e percepção de objetos concretos. Ela só se manifesta quando há objetos ao alcance dos bebês.

É neste estágio que há um aumento na capacidade sensorial e motora. Nos primeiros meses de vida, o bebê se adapta a partir de reflexos, desenvolvendo aos poucos a consciência e a intencionalidade das ações motoras.

Ele também se concentra apenas no que pode perceber imediatamente pelos sentidos. Se um objeto não está à vista, para a criança ele não existe.

Outra característica deste estágio do desenvolvimento cognitivo é a passagem de uma percepção egocêntrica do mundo para um maior interesse nas outras pessoas. O bebê adquire progressivamente uma consciência sobre o mundo externo e sobre como os outros percebem este mundo.

2. Estágio pré-operatório

  • Faixa etária: dos 2 aos 7 anos de idade

O desenvolvimento de representações mentais internas acontece a todo vapor. É com o pensamento representativo que a criança conseguirá aprimorar o pensamento lógico, característico do estágio seguinte.

Este estágio do desenvolvimento cognitivo é marcado pela comunicação verbal. É comum a criança falar tudo o que se passa em sua mente, sem considerar o que as pessoas dizem. A conversa passa a ganhar mais coerência com a idade, quando meninos e meninas passam a prestar mais atenção no que é dito pelos outros.

As crianças passam a manipular símbolos verbais para se referir a objetos e ações e, com o tempo, adquirem a capacidade de mobilizar conceitos. Elas ainda não conseguem se concentrar em vários aspectos de uma situação, mas prestam bastante atenção em um único aspecto observável de um objeto.

Nesta fase há uma experimentação intencional e ativa da linguagem e de objetos, o que contribui para o próximo estágio do desenvolvimento cognitivo.

3. Estágio operatório-concreto

  • Faixa etária: dos 7 aos 11 anos de idade

As crianças são capazes de manipular mentalmente representações internas, mobilizando ideias e memórias para realizar operações mentais. Elas começam a formular regras internas sobre como o mundo funciona e as utilizam para orientar o raciocínio.

Conceitos como números e relações são mais facilmente compreendidos e a linguagem se torna mais socializada. A criança também adquire maior autonomia em relação aos adultos, estabelecendo seus próprios valores morais.

4. Estágio operatório-formal

  • Faixa etária: a partir dos 11 anos de idade

No último estágio do desenvolvimento cognitivo, as crianças conseguem realizar operações mentais que envolvem abstrações e símbolos que não necessariamente têm formas concretas. Ou seja, elas têm a capacidade do raciocínio abstrato.

Elas também são capazes de se colocar no lugar dos outros, imaginar a perspectiva das outras pessoas sobre determinadas situações.

A característica mais importante dessa fase é o desenvolvimento do pensamento hipotético-dedutivo. As crianças aprimoram suas habilidades de formular hipóteses para explicar e resolver problemas.

Como estimular o desenvolvimento cognitivo dos estudantes

Deu para perceber que a passagem pelos 4 estágios é importantíssima para garantir a aprendizagem de todo estudante, não é mesmo? 

Nós listamos algumas ideias de como estimular o desenvolvimento cognitivo das crianças no dia a dia, em sala de aula. Mas se você quiser se aprofundar mais e entender como estas atividades contribuem para a aprendizagem, a Pós Educação Unisinos oferece o curso Neurociência e aprendizagem no contexto escolar.

A pós-graduação é voltada para todos os profissionais da educação que querem aplicar as mais recentes descobertas da neurociência nas escolas.

Inscreva-se na pós-graduação em Neurociência e Aprendizagem da Pós Educação Unisinos

Confira 4 atividades para levar para sua turma:

  1. Jogos de adivinhação: contribuem para o desenvolvimento da capacidade de abstração, concatenação e formação de ideias, além de estimular a criatividade e imaginação. Um bom exemplo de jogo de adivinhação para levar para sala de aula são os clássicos desafios de “O que é o que é”;
  2. Brincadeiras de silêncio e imobilidade: estimulam o controle motor e o domínio das emoções. Alguns exemplos são os jogos de “Estátua”, “Alerta” e “Vivo ou Morto”;
  3. Jogos de tabuleiro: estimulam o pensamento estratégico e hipotético. Aqui valem os clássicos Ludo, Damas e Batalha Naval;
  4. Brincadeiras de mão acompanhadas por canto: trabalham a memória, a inibição e a flexibilidade cognitiva, como os jogos “Adoleta” e “Escravos de Jó”.

Todas estas atividades podem ser feitas ao ar livre, no pátio ou na horta da escola. Por serem feitas em grupo, elas acabam estimulando também a empatia, a cooperação e a construção de vínculos entre as crianças.


Esperamos que este artigo com os conceitos básicos do desenvolvimento cognitivo tenha ajudado. Se quiser saber mais sobre o processo de aprendizagem, confira os artigos sobre metodologias de ensino do Blog da Pós Educação Unisinos.

Sobre o autor

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós Educação Unisinos

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