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Como trabalhar as competências socioemocionais na escola

Você sabe como trabalhar as competências socioemocionais na escola? Preparamos um resumo do que você precisa saber para sua turma desenvolver essas habilidades.

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Tempo de leitura: 14 min
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Para formar cidadãos capazes de lidar com os desafios do século 21, todo professor deve saber como abordar as competências socioemocionais em sala de aula.

O assunto está em alta nos últimos anos no Brasil e no mundo, devido à sua abordagem em documentos e exames que norteiam políticas públicas, como a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e o PISA da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Aqui você vai encontrar o essencial para começar a trabalhar as competências socioemocionais na escola. Junto a conceitos, separamos algumas ideias de atividades socioemocionais para realizar com a sua turma.

Confira:

  1. O que são competências socioemocionais
    1.1 A Teoria do Big Five
  2. As competências socioemocionais e a BNCC
    2.1 Diferença entre competências socioemocionais e competências gerais da BNCC
    2.2 Competências socioemocionais e o Projeto de Vida
  3. Atividades socioemocionais para sala de aula
    3.1 Atividade socioemocional para trabalhar a abertura a novas experiências
    3.2 Atividade socioemocional para trabalhar a consciência/autogestão
    3.3 Atividade para trabalhar a extroversão/engajamento com os outros
    3.4 Atividade para trabalhar a amabilidade
    3.5 Atividade para trabalhar estabilidade emocional/resiliência
  4. Como avaliar as competências socioemocionais
  5. Conclusão

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O que são competências socioemocionais

As competências socioemocionais são a capacidade do indivíduo de se relacionar consigo mesmo e com outras pessoas, além de estabelecer objetivos, tomar decisões e enfrentar situações adversas1. Elas se manifestam nos modos de pensar, de sentir e de reagir a estímulos de ordem pessoal e social.

Essas competências podem ser aprendidas, praticadas e ensinadas no ambiente escolar. Seu aprendizado é resultado de um processo de entendimento e manejo de emoções, chamado de educação socioemocional.

De acordo com a CASEL2, entidade internacional que promove a educação socioemocional baseada em evidências científicas, todo indivíduo deve desenvolver 5 competências dentro e fora da escola:

  1. Autoconsciência: conhecer as próprias forças e limitações, sempre mantendo uma atitude otimista e voltada ao crescimento;
  2. Autogestão: gerenciar de forma eficiente o estresse, controlas impulsos e definir metas possíveis;
  3. Consciência social: exercitar a empatia e respeitar a diversidade;
  4. Habilidades de relacionamento: capacidade de ouvir com empatia, falar de forma clara e objetiva, cooperar com as outras pessoas e solucionar conflitos de forma respeitosa;
  5. Tomada de decisão de forma responsável: fazer escolhas e interagir com as outras pessoas considerando normas, cuidados com segurança e padrões éticos de uma cidade.

As competências socioemocionais são objeto de estudo da Psicologia desde a década de 1930. Na Educação, o precursor na pesquisa da relação entre aspectos comportamentais e aprendizagem é Jean Piaget (1896-1980).

Elas entraram na agenda global na década de 1990, com o Paradigma do Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)3. Esse documento defendia a mudança de perspectiva sobre o que era considerado desenvolvimento, saindo da esfera do crescimento econômico e se concentrando nas pessoas.

A renda ainda era um fator importante, porém passou a ser vista como um meio para cada indivíduo alcançar seu potencial. A educação passaria a fazer parte dos critérios avaliados pelo PNUD, integrando o tripé do que hoje é conhecido como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Outra publicação que marcou o debate sobre as competências socioemocionais foi o Relatório Jacques Delors4, organizado pela Unesco. Sua grande inovação foi a proposta de construir um sistema de ensino sustentado por 4 pilares:

  1. Aprender a conhecer;
  2. Aprender a fazer;
  3. Aprender a ser;
  4. Aprender a conviver.

No Brasil, o tema ganhou destaque com a parceria entre a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, o Instituto Ayrton Senna e a OCDE, que, em 2013, iniciaram experiências de avaliação socioemocional no país5.

Mais de 25 mil estudantes, do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio, responderam a um questionário que permitiu cruzar as repostas com resultados cognitivos.

As conclusões do estudo foram:

  • Estudantes mais responsáveis, focados e organizados aprendem em um ano letivo cerca de um terço a mais de conteúdo de Matemática do que os colegas que não compartilham essas características;
  • Estudantes com maiores níveis de abertura a novas experiências têm um desempenho melhor em Língua Portuguesa, mesmo vindo de famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica;
  • Estudantes que recebem incentivo dos familiares para continuarem a estudar têm as competências de consciência e amabilidade mais bem desenvolvidas.

A Teoria do Big Five ajuda a entender esses resultados.

A Teoria do Big Five

Representação gráfica da Teoria do Big Five. Créditos: MissLunaRose12/Wikimedia Commons.Representação gráfica da Teoria do Big Five. MissLunaRose12/Wikimedia Commons.

A Teoria do Big Five começou a ser construída na década de 1930, em um esforço conjunto de cientistas e psicólogos, e hoje é amplamente aceita na comunidade acadêmica. Ela é descrita pelo método lexical, a partir da análise linguística, e conhecê-la ajuda a entender as competências socioemocionais6.

A teoria permite analisar a personalidade humana a partir de 5 dimensões7:

1. Abertura a novas experiências

A pessoa está aberta a novas experiências estéticas, culturais e intelectuais. Caracteriza-se por ser imaginativa, artística, excitável, curiosa, não convencional e com amplos interesses.

2. Consciência

O indivíduo tende a ser organizado, esforçado e responsável. Caracteriza-se por ser eficiente, autônomo, disciplinado, não impulsivo e orientado para seus objetivos.

3. Extroversão

Os interesses e energia de um indivíduo estão orientados ao mundo externo, a outras pessoas e objetos. Caracteriza-se por ser amigável, sociável, autoconfiante, enérgico, aventureiro e entusiasmado.

4. Amabilidade

A pessoa tende a agir de forma cooperativa e não egoísta. Caracteriza-se por ser tolerante, altruísta, modesta, simpática, não teimosa e objetiva ao falar com alguém.

5. Estabilidade emocional

O indivíduo não tem mudanças bruscas de humor, ou seja, há previsibilidade e consistência em suas reações emocionais. Já quem é considerado emocionalmente instável é caracterizado como preocupado, irritadiço, introspectivo, impulsivo e inseguro.

Nenhuma pessoa se enquadra apenas em uma das dimensões. Todo indivíduo compartilha as características do Big Five, em maior ou menor grau. Você pode fazer o teste disponibilizado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) aqui.

>>> Como aliar neurociência e aprendizagem para construir uma educação de qualidade

As competências socioemocionais e a BNCC

O desenvolvimento de competências socioemocionais no ambiente escolar está alinhado às diretrizes da BNCC. A relação pode ser percebida já nas 10 competências gerais estabelecidas pela Base8, em especial nas de número 8, 9 e 10:

  • Competência 8: conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
  • Competência 9: exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
  • Competência 10: agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Diferença entre competências socioemocionais e competências gerais da BNCC

Não confunda as competências socioemocionais com as competências gerais da BNCC9. Elas estão relacionadas, mas não são a mesma coisa.

As competências socioemocionais são um modelo teórico que auxilia entidades a estudar a influência de aspectos da personalidade humana no processo de ensino e aprendizagem.

Já as competências gerais da BNCC são a mobilização de conhecimentos, habilidades, atividades e valores para solucionar demandas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.

As competências da Base também norteiam todo o processo de escolarização, da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Competências socioemocionais e o Projeto de Vida

O Projeto de Vida é um componente curricular transversal obrigatório na rede pública e privada de ensino desde 2022, quando passou a vigorar o Novo Ensino Médio.

A BNCC o define como:

[O Projeto de Vida] é "O QUE OS ESTUDANTES ALMEJAM, PROJETAM E REDEFINEM PARA SI AO LONGO DE SUA TRAJETÓRIA, UMA CONSTRUÇÃO QUE ACOMPANHA O DESENVOLVIMENTO DA(S) IDENTIDADE(S), EM CONTEXTOS ATRAVESSADOS POR UMA CULTURA E POR DEMANDAS SOCIAIS QUE SE ARTICULAM, ORA PARA PROMOVER, ORA PARA CONSTRANGER SEUS DESEJOS."

Assim, as escolas devem criar momentos em que os estudantes reflitam sobre sua condição atual e sobre o seu futuro. Nesses períodos devem ser trabalhadas questões que fazem parte do dia a dia de todo indivíduo, como a tomada de decisões, resolução de problemas e adaptação a situações inesperadas.

Tudo a ver com as competências socioemocionais, né?

Cada instituição de ensino tem autonomia para definir como implementar o Projeto de Vida. De forma geral, as escolas seguem dois formatos:

  1. Criar uma disciplina, que será ministrada por um professor;
  2. Transformar o Projeto de Vida em um conteúdo transversal, em que todos os professores se organizam para desenvolver as habilidades e vocações dos estudantes, dentro das disciplinas.

Independentemente do formato, os momentos de discussão sobre o Projeto de Vida no Ensino Médio são mais uma oportunidade para desenvolver as competências socioemocionais.

Capa da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Atividades socioemocionais para sala de aula

Como trabalhar as competências socioemocionais com a minha turma?

Você deve estar se perguntando isso depois de ter chegado até aqui.

Antes de planejar uma aula sobre o tema, é preciso aprender mais sobre as competências socioemocionais. O curso Neurociência e aprendizagem no contexto escolar da Pós Educação Unisinos oferece um módulo totalmente dedicado ao assunto.

Você vai conhecer a fundo a relação entre aprendizagem, educação socioemocional e Teoria do Big Five. As matrículas já estão abertas e as inscrições são gratuitas.

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Também é importante conhecer algumas atividades socioemocionais que você pode levar para sala de aula. Separamos cinco para você se inspirar!

Cada uma delas está relacionada a uma dimensão do Big Five. As atividades foram adaptadas de guias sobre competências socioemocionais elaborados pelo Instituto Ayrton Senna:

  1. Atividade socioemocional para trabalhar a abertura a novas experiências10
  2. Atividade socioemocional para trabalhar a consciência/autogestão11
  3. Atividade para trabalhar a extroversão/engajamento com os outros12
  4. Atividade para trabalhar a amabilidade13
  5. Atividade para trabalhar estabilidade emocional/resiliência14

1. Atividade socioemocional para trabalhar a abertura a novas experiências

Tema: memes e sustentabilidade

Indicado para: anos finais do Ensino Fundamental

Competências socioemocionais desenvolvidas:

  • Imaginação criativa;
  • Iniciativa social;
  • Responsabilidade.
Passo a passo
  1. A atividade começa com algumas perguntas feitas para a turma. Peça para que os estudantes reflitam sobre o uso que eles fazem das redes sociais, a partir das seguintes perguntas:

    ▪️ Quais aparelhos você usa para acessar a internet e as redes sociais?
    ▪️ O que você mais faz na internet?
    ▪️ Quantas horas por dia você fica conectado?
    ▪️ Já teve algum problema com alguma atitude sua no ambiente virtual?
    ▪️ O uso que você faz das redes sociais é saudável e sustentável? Há alguma situação vivida por você que ilustre isso?

  2. Depois, passe um exercício de verdadeiro ou falso para turma. Eles devem usar os dados da pesquisa TIC Kids para resolvê-lo. Você pode imprimir a seguinte tabela e entregar para os estudantes:

    AFIRMATIVA VERDADEIRO ou FALSO?
    95% das crianças e adolescentes do Brasil são usuários de Internet.  
    Mais da metade dos adolescentes só acessa a Internet pelo celular.  
    O que os adolescentes mais fazem na Internet é enviar mensagens.  
    Mais de 90% dos adolescentes têm perfil em pelo menos uma rede social.  
    Mais de 25% dos adolescentes entrevistados já tentou passar menos tempo na internet, mas não conseguiu.  
    Aproximadamente 90% dos adolescentes dizem saber definir o que devem ou não compartilhar na Internet.  
  3. Monte pequenos grupos e peça que eles conversem entre si sobre os resultados da pesquisa. Peça que eles planejem estratégias de uso sustentável da internet em conjunto.
  4. Peça que escolham uma das estratégias para transformar em um meme. Pode ser um vídeo curto editado no TikTok, uma fotomontagem no Instagram... As possibilidades são várias!
  5. Finalizados os memes, hora de apresentá-los para a turma! Cada um dos grupos deve explicar a mensagem de conscientização que quiseram passar com o meme.

2. Atividade socioemocional para trabalhar a consciência/autogestão

Tema: o que é ser um estudante protagonista

Indicado para: Ensino Médio

Competências socioemocionais desenvolvidas:

  • Organização
  • Assertividade
  • Foco
Passo a passo
  1. Lance para a turma a seguinte pergunta: o que significa protagonismo juvenil?
  2. Incentive os estudantes a compartilharem suas respostas.
  3. Compartilhe com a turma o texto “O que é ser estudante protagonista?”, disponibilizado pelo Instituto Ayrton Senna.
  4. Terminada a leitura, peça para que cada um dos estudantes desenhe a seguinte tabela em uma folha do caderno e registre exemplos:

    SITUAÇÃO 1: estudante coadjuvante SITUAÇÃO 2: estudante protagonista SITUAÇÃO 3: como superar a situação 1 e atingir a situação 2?
         
  5. Por fim, peça para a turma compartilhar o exercício com os colegas.

>>> Entenda a importância do protagonismo juvenil na formação do estudante

3. Atividade para trabalhar a extroversão/engajamento com os outros

Tema: viagem a uma terra desconhecida

Indicado para: anos iniciais do Ensino Fundamental

Competências socioemocionais desenvolvidas:

  • Foco
  • Assertividade
  • Imaginação criativa
Passo a passo
  1. Conte para a turma que vocês vão fazer uma brincadeira de faz de conta na aula. A brincadeira será uma viagem a uma terra desconhecida.
  2. Peça para as crianças se deitarem no chão e fecharem os olhos. Depois, fale: “Vou jogar um pó mágico em quem estiver deitado, de olhos fechados e pronto para a viagem”. Faça gestos para simular que você está jogando o pó mágico em cada um dos estudantes.
  3. Comece a narrativa, falando cada uma das frases pausadamente. As pausas são importantes para dar tempo às crianças de imaginarem as cenas que você vai descrever:

    ▪️ “Imagine que você está entrando em uma nave que vai te levar a um lugar encantado. Como seria esse lugar? O que teria lá? Se você pudesse levar alguém nesta viagem, quem você escolheria? E a nave? Qual seria a cor dela? Ela seria grande ou pequena? Que nome vocês escolheriam para a sua nave?”

    ▪️ “Agora que você já decidiu para onde vai, com quem vai e como é a sua nave, imagine que ela começa a subir. Ela sobe lá no alto, e você começa a enxergar as nuvens e passarinhos do seu lado. O sol está brilhando. Olhe, também, para baixo. O que você está vendo? O mar? A floresta? As casas? Veja como tudo parece tão pequenininho daqui de cima.”

    ▪️ “Sua nave começa a descer para pousar no lugar que você escolheu. Observe como esse lugar parece, e perceba o quanto você desejava estar ali. Imagine o que tem de legal nesse lugar. Existem brinquedos? Um parque? Qual brincadeira você escolheria para brincar com a pessoa que levou?”

    ▪️ “Agora que vocês já brincaram, dê uma última volta nesse lugar, e perceba se está quente ou frio. Se está com sol ou chovendo. Se está ventando ou sem vento.”

    ▪️ “Vá se despedindo desse lugar, e vá caminhando com a pessoa que escolheu para a nave encantada. Antes de voltarem para o lugar em que vocês estavam antes, dê tchau para esse lugar encantado! Com segurança, a nave vai trazer vocês de volta.”

  4. Terminada a narrativa, peça para a turma abrir os olhos bem devagar e sentarem em uma roda.
  5. Peça para as crianças fazerem um trabalho artístico sobre a experiência que tiveram na viagem. A atividade é individual, pois cada viagem foi única. Elas podem usar cartolinas, revistas, lápis de cor, canetinhas coloridas, tinta guache... Aproveite o material disponível em sala de aula.
  6. Depois de fazerem o trabalho artístico, oriente a turma para guardar todos os materiais usados nos seus respectivos lugares. É uma ótima oportunidade para estimular a organização!
  7. Em uma roda, cada um dos estudantes deve contar para onde viajou e os detalhes do lugar encantado. Você pode estimular o diálogo entre as crianças perguntando se gostariam de conhecer a nave ou o lugar escolhido pelos colegas.

4. Atividade para trabalhar a amabilidade

Tema: como o personagem está se sentindo

Indicado para: anos iniciais do Ensino Fundamental

Competências socioemocionais desenvolvidas:

  • Foco
  • Empatia e respeito
Passo a passo
  1. Antes de realizar a atividade, você deve escolher uma história para contar para a turma. Pode ser um conto de fadas ou um clássico da literatura infantojuvenil brasileira. O mais importante é que os personagens passem por diferentes situações, para que as crianças consigam identificar os sentimentos deles.
  2. Explique para a turma que eles vão ouvir uma história. Durante a leitura, faça pausas e lance perguntas como:

    ▪️ O que vocês acham que o personagem está sentindo?
    ▪️ Por que o personagem está se sentindo assim?
    ▪️ O que aconteceu na história que fez com que o personagem se sentisse dessa maneira?

  3. Terminada a história, peça para a turma desenhar como o personagem se sentiu em duas partes da história. O desenho pode ser feito em cartolinas com lápis e borracha, lápis de cor, giz de cera, canetinhas coloridas...
  4. Quanto todos terminarem os desenhos, peça para cada criança compartilhar o seu trabalho. Elas devem explicar quais partes da história escolheram e o motivo, além das emoções que identificaram nos personagens.

5. Atividade para trabalhar estabilidade emocional/resiliência

Tema: trocando ideias e aconselhamentos

Indicado para: anos finais do Ensino Fundamental

Competências socioemocionais desenvolvidas:

  • Autoconfiança
  • Tolerância ao estresse
  • Tolerância à frustração
Passo a passo

A atividade será realizada em dois encontros, que podem ser presenciais ou online. O objetivo é refletir sobre relações de mentoria.

Primeiro encontro:

  1. Organize uma roda de conversa no primeiro encontro e apresente o objetivo da atividade. Em seguida, lance a pergunta para a turma:

    ▪️ “Lembre-se de uma situação que você passou na escola e que te marcou. Qual o aconselhamento que você daria ao seu ‘eu’ do passado para lidar com essa situação? Como esse aconselhamento teria feito a diferença?”

  2. Determine um intervalo de tempo para reflexão e, em seguida, peça para a turma compartilhar os conselhos que dariam para si mesmos.
  3. Termine o primeiro encontro com perguntas que vão estimular os estudantes a refletirem sobre autoconfiança:

    ▪️ “O que vocês sentiram ao compartilhar situações que já viveram? Conseguiram olhar para o lado positivo e aprender algo? Ou tiveram pensamentos negativos sobre vocês mesmos?”

Segundo encontro:

  1. Comece a roda de conversa explicando o que é e o que faz um mentor.
  2. Em seguida, lance uma pergunta para os estudantes refletirem: “Vocês sentem ansiedade, nervosismo ou algum sentimento negativo na hora de falar sobre suas ideias com um grupo?”
  3. Explique que sentir nervosismo é normal, mas é possível aprender como lidar com esse sentimento. Depois, compartilhe mais uma reflexão: “Como podemos aprender maneiras de lidar com nossos desafios e preocupações de forma construtiva e positiva?”. As duas perguntas vão ajudar a turma a prosseguir na atividade.
  4. Divida a turma em trios. Os grupos devem trocar experiências sobre os desafios que enfrentam na escola e escolher um mentor para aconselhá-los por um período de tempo. O mentor pode ser um estudante mais velho, um professor ou um colaborador da escola.
  5. Escolhido o mentor, cada grupo deve planejar como será feito o convite e planejar a proposta de mentoria. Os estudantes devem pensar na frequência e no formato dos encontros com o mentor.
  6. Explique para os trios que há a possibilidade de a pessoa escolhida não conseguir assumir o papel de mentor. Oriente-os a pensarem em “planos B e C” para essa situação.
  7. Para encerrar a atividade, determine um prazo para que os estudantes façam o convite aos futuros mentores e iniciarem o processo de aconselhamento.

>>> Entenda o que é a Taxonomia de Bloom e como aplicá-la em suas aulas

Como avaliar as competências socioemocionais

O que você achou das atividades socioemocionais que separamos aqui?

Mas você deve estar se perguntando: e depois? Como avaliar o desenvolvimento das competências socioemocionais das minhas turmas?

Dá para entender a dúvida. Afinal, não é com uma prova de múltipla escolha que conseguimos medir o amadurecimento emocional do estudante.

O segredo de como avaliar as competências socioemocionais na escola é a observação atenta do professor, que deve prestar atenção em como o discente se comporta nas mais diferentes situações. Ela pode ser combinada com atividades em grupo e questionários autoavaliativos15.

Você pode considerar quatro aspectos ao planejar a avaliação das competências socioemocionais:

  1. Qual competência será avaliada;
  2. Como ela pode ser descrita (você pode se inspirar no Big Five nesta etapa);
  3. Quais instrumentos vão mostras habilidades que se quer desenvolver;
  4. Qual atividade será realizada para desenvolver e avaliar a competência escolhida.

Quando estiver realizando a atividade, você deve prestar atenção em alguns pontos que vão te ajudar a avaliar o desenvolvimento das competências socioemocionais:

  • Os estudantes se engajaram e participaram ativamente da atividade?
  • A atividade facilitou a proximidade e a convivência entre os colegas?
  • A partir das respostas da turma, é possível entender como os estudantes veem e praticam as competências socioemocionais no dia a dia?

>>> A importância da avaliação diagnóstica para a retomada das aulas presenciais

Conclusão

Esperamos que este artigo sobre como trabalhar as competências socioemocionais na escola contribua com o seu dia a dia em sala de aula.

Aqui você conheceu o conceito de competências socioemocionais e os fundamentos da Teoria do Big Five, que ajudam a identificar as dimensões da personalidade dos estudantes.

Também viu a relação entre a educação socioemocional e a BNCC, que propõe atualizar os currículos escolares para formas cidadãos conscientes e autônomos, capazes de lidar com os desafios do século 21.

Por fim, conferiu uma lista de sugestões de atividades socioemocionais para levar para sua turma, além de entender como funciona o processo de avaliação das competências socioemocionais.

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💡Quer saber mais sobre competências socioemocionais na escola? Confira as fontes que consultamos para fazer este artigo:

  1. INSTITUTO AYRTON SENNA. Competências socioemocionais para contextos de crise. Disponível em https://institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/socioemocionais-para-crises.html. Acesso em 30 mai. 2022.
  2. CASEL. What is the CASEL Framework? Disponível em https://casel.org/fundamentals-of-sel/what-is-the-casel-framework/. Acesso em 30 mai. 2022.
  3. PNUD BRASIL. Índice de Desenvolvimento Humano. Disponível em https://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/idh0.html. Acesso em 30 mai. 2022.
  4. DELORS, Jacques [et al]. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Brasília: Ministério da Educação, UNESCO, 1998.
  5. NOVA ESCOLA. Competências socioemocionais. Disponível em https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/ffmHynzstuECHwJFdbqU4ZuzM3cgTTC6VUdcby9bGUDAAyxMErdR2xkQE2jN/competencias-socioemocionais--nova-escola.pdf. Acesso em 30 mai. 2022.
  6. PORVIR. Especial Socioemocionais. Disponível em https://socioemocionais.porvir.org/. Acesso em 30 mai. 2022.
  7. ALMLUND, M. et al. Personality psychology and economics. In: E. A. Hanushek, S. Machin, and L. W¨oßmann (Eds.), Handbook of the Economics of Education, v. 4. Amsterdam: Elsevier, 2011.
  8. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.
  9. CECÍLIO, Camila. Qual é a diferença entre as competências gerais da BNCC e as socioemocionais? Nova Escola Gestão, São Paulo, 19 jun. 2019. Disponível em https://gestaoescolar.org.br/conteudo/2194/qual-e-a-diferenca-entre-as-competencias-gerais-da-bncc-e-as-socioemocionais. Acesso em 30 mai. 2022.
  10. INSTITUTO AYRTON SENNA. Ideias para o desenvolvimento de competências socioemocionais: abertura ao novo. São Paulo, 29 jul. 2020. Disponível em: https://institutoayrtonsenna.org.br/content/dam/institutoayrtonsenna/documentos/instituto-ayrton-senna-macrocompetencia-abertura-ao-novo.pdf. Acesso em 30 mai. 2022.
  11. INSTITUTO AYRTON SENNA. Ideias para o desenvolvimento de competências socioemocionais: autogestão. São Paulo, 12 ago. 2020. Disponível em: https://institutoayrtonsenna.org.br/content/dam/institutoayrtonsenna/documentos/instituto-ayrton-senna-macrocompet%C3%AAncia-autogestao.pdf. Acesso em 30 mai. 2022.
  12. INSTITUTO AYRTON SENNA. Ideias para o desenvolvimento de competências socioemocionais: engajamento com os outros. São Paulo, 3 set. 2020. Disponível em: https://institutoayrtonsenna.org.br/content/dam/institutoayrtonsenna/documentos/IAS_Macro_Engajamento_2020.09.09.pdf. Acesso em 30 mai. 2022.
  13. INSTITUTO AYRTON SENNA. Ideias para o desenvolvimento de competências socioemocionais: amabilidade. São Paulo, 25 ago. 2020. Disponível em: https://institutoayrtonsenna.org.br/content/dam/institutoayrtonsenna/documentos/instituto-ayrton-senna-macrocompetencia-amabilidade.pdf. Acesso em 30 mai. 2022.
  14. INSTITUTO AYRTON SENNA. Ideias para o desenvolvimento de competências socioemocionais: resiliência emocional. São Paulo, 15 jul. 2020. Disponível em https://institutoayrtonsenna.org.br/content/dam/institutoayrtonsenna/documentos/instituto-ayrton-senna-macrocompetencia-resiliencia-emocional.pdf. Acesso em 30 mai. 2022.
  15. ANDRIOLI, Daniela. Como avaliar as competências socioemocionais na escola? Nova Escola Gestão, São Paulo, 7 nov. 2019. Disponível em https://gestaoescolar.org.br/conteudo/2180/como-avaliar-as-competencias-socioemocionais-na-escola. Acesso em 30 mai. 2022.

Sobre o autor

Olívia Baldissera

Jornalista e historiadora. É analista de conteúdo da Pós Educação Unisinos

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