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Como funciona o sistema Braille e sua importância para a inclusão

O sistema Braille funciona a partir da decodificação de um código de escrita em relevo. Entenda sua importância para a autonomia de pessoas cegas.

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Tempo de leitura: 5 min
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De acordo com dados do IBGE, existem no Brasil aproximadamente 6,5 milhões de pessoas com alguma deficiência visual, sendo que 529 mil são totalmente cegas.

A cegueira é uma condição na qual a pessoa perde parcial ou totalmente sua visão. Ela pode ser congênita, quando a pessoa já nasce com a característica, ou adquirida no decorrer da vida.

Para todas essas pessoas, o Braille é fundamental para sua inclusão na sociedade. O sistema de escrita e leitura é organizado em símbolos em relevo, que devem ser decifrados pelo leitor ao passar as mãos sobre a superfície.

Mas você sabe como o sistema Braille foi desenvolvido e como chegou ao Brasil? É o que explicamos para você a seguir.

Confira:

  1. Como funciona o sistema Braille
  2. Como é feita a leitura do Braille
  3. A história do sistema Braille
  4. O sistema Braille no Brasil
  5. A importância do sistema Braille na educação inclusiva
  6. Mitos do sistema Braille
  7. Seja protagonista na transformação da educação

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Como funciona o sistema Braille

O sistema Braille é um código de escrita em relevo voltado às pessoas cegas ou com baixa visão. O sistema é o mais adotado no mundo e, além das letras e números, ele oferece símbolos, pontuações e outros sinais que facilitam o entendimento de uma mensagem por aqueles que não conseguem enxergar.

O Braille possui uma estrutura em relevo, formada por seis pontos verticais divididos em duas colunas de três pontos em cada. O sistema possibilita combinações que formam letras, números e símbolos.

Por meio do toque das mãos, as pessoas que têm conhecimento das diferentes combinações têm acesso a informações impressas na superfície.

O conjunto possibilita a formação de 63 símbolos, no entanto, o espaço que não é ocupado pelos pontos também é considerado com um sinal e, por isso, muitos especialistas consideram que o sistema Braille possui 64 símbolos.

Como é feita a leitura do Braille

alfabeto-braille

A leitura é tátil, feita da esquerda para a direita e passando letra por letra. Os leitores podem optar tanto por utilizar uma mão ou as duas mãos, dependendo da forma com a qual se sentem mais confortáveis.

No caso da leitura com as duas mãos, bimanual, cada uma é utilizada para ler a metade de um parágrafo. Na leitura com apenas uma mão, unimanual, ela volta até a metade do parágrafo para descer daí para a próxima linha do texto.

Apesar de o Braille ser utilizado por pessoas cegas e sua leitura ser considerada tátil, ela também pode ser lida apenas pelos seus caracteres pelas pessoas que não possuem deficiência visual. Essa leitura é simples, e as pessoas interessadas precisam apenas decorar os símbolos.

Além disso, o Sistema Braille possui normas que devem ser seguidas. Há regras para o uso de letras maiúsculas e minúsculas, assim como regras para siglas, abreviações, utilização de números e letras juntos e muitas outras.

Para poder conhecer todas as normas e informações do Braille no Brasil, acesse o Manual da Grafia Braille para a Língua Portuguesa divulgado pelo Ministério da Educação (MEC). 

A história do Sistema Braille

Retrato de Louis Braille. Créditos: Braille Bug/American Printing House for the Blind.Retrato de Louis Braille. Braille Bug/American Printing House for the Blind.

O sistema Braile foi desenvolvido por Louis Braille. Ele nasceu em Coupvary, na França, em 4 de janeiro de 1809. Quando tinha três anos, perfurou o olho esquerdo com um objeto de ponta ao brincar na oficina do pai.

No acidente, Louis sofreu uma grave hemorragia, que gerou uma infecção nos dois olhos, deixando-o totalmente cego aos cinco anos de idade.

Apesar da limitação para enxergar, o garoto tinha muita facilidade para decorar os conteúdos passados pelos professores. Aos 10 anos, ele conseguiu uma bolsa de estudos na primeira escola para cegos do mundo: o Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris.

Naquela época, o sistema utilizado para a leitura dos cegos era o Valentin Haüy, que consistia em livros impressos com letras grandes em relevo.

Com esse método era possível a leitura, mas não a escrita. Por causa dessa dificuldade, Louis decidiu aprofundar seus estudos para desenvolver um método melhor e mais amplo de leitura para pessoas cegas.

Uma das primeiras publicações de Braille, ainda usando o método de Valentin Haüy. Créditos: Divulgação/American Printing House for the Blind.Uma das primeiras publicações de Braille, ainda usando o método de Valentin Haüy. Divulgação/American Printing House for the Blind.

O militar francês Charles Barbier de la Serre contribuiu com Louis em sua pesquisa, pois havia desenvolvido um sistema de sinais em relevo para transmitir ordens aos soldados à noite, um método conhecido como “sonografia”. Porém, mesmo que pudessem ser lidos com a ponta dos dedos, havia uma dificuldade de memorização dos sinais.

Louis Braille então começou a procurar soluções para que o sistema fosse mais prático, concluindo o estudo em 1824, aos 15 anos de idade. Entretanto, o sistema Braille só foi oficialmente aceito em 1843, quando começou a ser disseminado pela Europa.

Alfabeto de Charles Barbier. Créditos: Merayudantia/Wikimedia Commons.Merayudantia/Wikimedia Commons. CC 3.0.

O Sistema Braille no Brasil

No mesmo período em que o sistema Braille estava em fase de adaptação no Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris, um jovem brasileiro estudava no local: José Álvares de Azevedo.

O jovem de família rica, filho do escritor Álvares de Azevedo, havia nascido cego. Como não havia no Brasil uma instituição para cegos, ele foi enviado ao instituto, entre seus 10 e 16 anos de idade.

Em Paris, o garoto aprendeu todo o método de Braille e voltou ao Brasil com grande vontade de expandir o conhecimento para outras pessoas com deficiência visual. Então, Azevedo começou a dar aulas, palestras e ensinar à população sobre como o sistema Braille funcionava.

Azevedo conseguiu uma audiência exclusiva com o Imperador D. Pedro II, que admirado com o trabalho, ajudou-o na fundação de uma escola para cegos no Brasil. Assim, em 1854 foi criado o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, que hoje carrega o nome de Instituto Benjamin Constant, localizado no bairro da Urca, no Rio de Janeiro.

Entretanto, José Álvares de Azevedo faleceu aos 20 anos, seis meses antes da inauguração do instituto brasileiro, vítima de tuberculose. A data de seu nascimento, 8 de abril de 1934, foi escolhida no Brasil como o Dia Nacional do Braille.

José Álvares de Azevedo (à esq.) fundou o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, que hoje se chama Instituto Benjamin Constant. Créditos: Revista da Semana/Biblioteca Nacional.José Álvares de Azevedo (à esq.) fundou o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, que hoje se chama Instituto Benjamin Constant (à dir.). Revista da Semana/Biblioteca Nacional.

A importância do Sistema Braille na educação inclusiva

Utilizar o sistema Braille é uma forma de inclusão social que dá uma maior autonomia à pessoa com deficiência visual na sociedade. Ele proporciona o acesso à educação, ao mercado de trabalho e demais atividades.

Além de instituições de ensino voltadas para atendimento desse público, também é importante que o uso do Braille seja contemplado em locais que fazem parte da vida de todas as pessoas, pois permite a inclusão da pessoa cega na sociedade.

É preciso destacar que o estímulo precoce de crianças cegas é essencial para o seu desenvolvimento integral e educacional. Isso as torna mais independentes, além de favorecer as relações sociais, trocas de saberes e as experiências com outras pessoas.

Cabe à escola a incumbência de oferecer aos estudantes cegos o suporte adequado para que possam se desenvolver da mesma forma que os demais colegas, atendendo suas demandas e especificidades, assim favorecendo seu processo de alfabetização e inclusão.

4 mitos do Sistema Braille

Menino lendo em Braille.

MITO 1: não é possível transcrever obras de grandes autores para o Braille por causa dos direitos autorais.

O artigo 46 da Lei Federal nº 9.610/98 esclarece que não constitui ofensa aos direitos autorais a reprodução de obras literárias, artísticas ou científicas para uso exclusivo de cegos, desde que em Braille ou qualquer outro suporte para esses destinatários, e sem fins comerciais.

MITO 2: crianças com deficiência visual não podem compreender histórias infantis quando lê livros.

É fundamental que todas as crianças e adultos com deficiência visual aprendam o Braille, para sua independência e integração. Livros infantis adaptados a esta linguagem permitem que as crianças conheçam os clássicos.

MITO 3: não existem cursos de idiomas adaptados para as necessidades das pessoas com deficiência.

Apostilas ampliadas para alunos com baixa visão, computadores com o software de voz Virtual Vision para os cegos, aparelhos como a ponteira ou a colmeia (placa de acrílico que facilita o uso do teclado) são alguns dos recursos disponíveis às escolas de idiomas.

Um bom exemplo da aplicação desses métodos é o Instituto Open Door, em São Paulo, onde os cursos são gratuitos e voltados para pessoas de baixa renda.

MITO 4: a pessoa com deficiência não tem direito de concorrer a uma bolsa de estudos do Programa Universidade para Todos (PROUNI)

O programa possui várias condições para que os candidatos possam concorrer a uma bolsa. Uma delas, justamente, é ser uma pessoa com deficiência.

Seja protagonista na transformação da educação

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